Terror à civilização: o caminho à barbárie

gettyimages 497496626 custom 837be45f2f53c060eedb2492f5fad250f6cd7497 s900 c85 - Terror à civilização: o caminho à barbárie

Os recentes ataques terroristas ocorridos na França no último dia 13 de novembro na casa de shows Bataclan e em um restaurante parisiense, onde mais de 120 pessoas foram mortas de maneira hedionda, nos obriga a olhar com mais detalhes sobre a atuação do Estado Islâmico e a dar respostas, com aliança mundial, para combater sua atuação e, logo, o terrorismo.

Naquele dia, pudemos entender da forma mais desastrosa possível a denotação do jargão “sexta-feira 13”. O que temos, é que os atentados à França não foram apenas ataques objetivamente às vítimas e ao Estado francês, mas sim à toda humanidade. É um crime à humanidade, à civilização.

Há cerca de 4 meses atrás o mundo assistiu aterrorizado o ataque terrorista à Revista de charges Charlie Hebdo, em Paris, e fez o mundo usar a tag #JeSuisCharlie, em defesa da liberdade de expressão. As ações na Síria de ataques às comunidades cristãs demonstram, também, que a preocupação do EI é acabar com todo e qualquer modo de viver contrários àqueles que apregoam como correto.

A França é símbolo mor dos valores que cultivamos na cultura ocidental, como os de liberdade de expressão, de laicismo do Estado, de respeito aos direitos e garantias fundamentais etc. Historicamente vimos essas defesas nascendo no âmago da sociedade ocidental via França. Por esta razão, os ataques à Paris representam ataques aos valores que sustentam nosso modelo de civilização ocidental. Nos aterroriza, portanto, por estas atitudes serem contra tudo o que cultivamos, para conseguirmos viver em sociedade.

Assim, o que trago aqui é a reflexão de que o EI ameaça a nossa vida em sociedade, por este grupo ser contra justamente aos valores de civilidade. Nós aqui discordamos, brigamos, temos religiões, ou não professamos fé, mas ainda assim vivemos de forma minimamente harmônica. Entendemos o significado de pluralismo e respeito. É claro que há perversões, há aqueles que comentem crimes, por exemplo, mas, ainda nestes casos, construímos instâncias e modelos institucionais sólidos para punir os que não cumprem com o pacto social. E, até mesmo em nível mundial, temos organismos como a ONU para pacificar nossos conflitos. Entretanto, o EI não existe e age com base neste modelo. O EI age na barbárie. É um Estado sem ser Estado. É o estado sem lei. É o estado de guerra generalizada. Nós não podemos permanecer passivos assistindo essa organização destruir tudo o que construímos a duras penas para vivermos em sociedade.

Nesse sentido, a ação do Estado Islâmico não é apenas uma reposta à ação “imperialista” americana no Oriente Médio, tampouco meramente da “colonização” francesa na África do Norte, como evocam alguns. A ação é diferente de grupos políticos anteriores, uma vez que àqueles tinham como motivação situação política para enfrentar esse chamado ‘imperialismo”. Hoje, no entanto, podemos perceber que o grande fim com estas atitudes está cunhado em criar um novo modelo de sociedade, uma espécie de “seleção cultural”, em que apenas aqueles que se curvarem a viver nos moldes islâmicos radicais tenham o merecimento de viver. Isso nos lembra outro trágico momento histórico..

Por fim, poderíamos passar horas a fio discutindo quais seriam a causas dos atentados. Tentar buscar entender o que faz com que pessoas se unam à este grupo para matar e aterrorizar o mundo. Pensar soluções mais pacíficas possíveis para acabar com o terror. Enfim, pensar. Logo, percebam, que apenas podemos fazer esses questionamentos por estarmos inseridos no modelo de sociedade civilizada. Mesmo com os hediondos ataques à França, sem qualquer compaixão com as vítimas, buscamos sempre tentar achar soluções que tragam menos trauma possível quando na ação de resposta. Justamente por que aqui se busca resolver problemas com base em valores. Não recorrer sempre a guerra é um valor.

Entretanto, apenas perante comunidades com culturas como a nossa é que podemos negociar e tentar resolver questões de interesses. Agora, ante à barbárie, ante a grupos que não respeitam civis inocentes, não há como dar respostas como se estivéssemos lidando com a nações civilizadas. O relativismo apregoado por muitos até aqui já não mais se sustenta. Portando, ante a barbárie, e aqui se traz os limites liberais de ação de guerra, como agir?

Creio ser este questionamento o mais difícil e necessário de ser respondido neste momento. Precisamos achar uma resposta, rápido, antes que aqui não tenhamos mais sequer a segurança necessária ao bem viver.

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *