A Revolução Dos Bichos – Uma análise crítica e cultural.

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Todos nós já temos em mente as ideias de que o nome de certos tipos de animais são usados como adjetivos por conta de suas características, como por exemplo, o porco, que vive na lama, é aplicado a uma pessoa sem costumes ou caprichos, em vários sentidos e em diversas situações, como por exemplo, um indivíduo que não gosta de hábitos de higiene. Um objeto de estudo que se utiliza deste artifício para desenvolver sua trama é o livro A Revolução Dos Bichos, onde o autor George Orwell desenvolve uma história de corrupção e traição e recorre a essas figuras de animais para retratar as fraquezas humanas e destruir o “paraíso comunista” imposto pela Rússia na época de Stalin.

Um breve resumo desta trama, se dá por um um velho porco, chamado Major, que reúne os animais da fazenda para compartilhar de um sonho: serem governados por eles próprios, os animais, sem a submissão e exploração do homem. Ensinou-lhes uma antiga canção, Bichos Da Inglaterra, que resume a filosofia do Animalismo, exaltando a igualdade entre eles e os tempos prósperos que estavam por vir, deixando os demais animais extasiados com as possibilidades. Major falece três dias depois deste feito, e os jovens porcos Bola de Neve e Napoleão, passaram a se reunir clandestinamente à fim de traçar as estratégias da revolução. Certo dia, Sr. Jones, proprietário da fazenda, se descuidou da alimentação dos bichos, o que serviu de estopim para a rebelião dos mesmos. Sob o comando dos porcos, eles então passaram a chamar o lugar de “Fazenda dos Animais” e aprenderam sete mandamentos, sendo eles:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.

2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.

3. Nenhum animal usará roupas.

4. Nenhum animal dormirá em cama.

5. Nenhum animal beberá álcool.

6. Nenhum animal matará outro animal

7. Todos os animais são iguais.

Para os animais de menor intelecto, os porcos resumiram os mandamentos apenas na frase “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”, que passou a ser repetido constantemente pelas ovelhas. Após a primeira invasão dos humanos, na tentativa frustrada de retomar a fazenda, Bola de Neve luta bravamente e dedica todo o seu tempo ao aprimoramento da fazenda e da qualidade de vida de todos, mas, mesmo assim, Napoleão o expulsa do território, alegando sérias acusações contra o antigo companheiro. Acusações estas que se prolongam por toda a história, mesmo após o desaparecimento de Bola de Neve, na tentativa de encobrir algo ou mesmo ter alguma explicação para os animais referente à catástrofes, criando-se um mito em torno do porco que, a partir daí, é considerado um traidor.

Napoleão se apossa então da ideia de Bola de Neve de construir um moinho de vento para gerar energia, mesmo tendo criticado no passado esta ideia. Passado um tempo, os porcos começam então a negociar com os agricultores da região, recusando a existência de uma resolução de não contactar com os humanos, alegando essa ser mais uma ideia de Bola de Neve. Os porcos passam a viver na antiga casa do Sr. Jones e fazem então alterações nos mandamentos escritos na porta do celeiro.

4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.

5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.

6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.

7. Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

O hino da revolução foi banido, já que a sociedade ideal descrita, segundo Napoleão, já teria sido atingida sob o seu comando. Napoleão é declarado líder por unanimidade. As condições de trabalho se tornam cada vez mais precárias, e um novo ataque humano ocorre e os animais já não se lembram se na época que eram submissos ao Sr. Jones era de fato pior, mas eram recordados da liberdade proclamada por meio de sábios discursos suínos proferidos principalmente por um porco chamado Garganta, que era dono de uma notória habilidade de persuasão. Enquanto Napoleão, os outros porcos e os agricultores locais celebram em conjunto a produtividade da Fazenda dos Animais, os outros bichos trabalham arduamente em troca de míseras quantidades de ração.

O slogan das ovelhas é mudado ligeiramente para “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!”, pois agora os porcos andavam apenas sobre as duas patas traseiras. No final, os outros bichos, ao olharem para dentro da antiga casa do Sr. Jones, onde agora os porcos vivem em considerável luxo em relação aos outros animais, vêem Napoleão e outros suínos jogando carteado com Frederick e Pilkington, senhores das fazendas vizinhas, e celebrando o sucesso econômico que seus acordos trouxeram para suas respectivas fazendas. Numa visão confusa, os animais já não conseguem distinguir os porcos dos homens.

“Grande homem, homem porco, ha ha, que falso você é”. Esse é um dos versos da música “Pigs (Three Different Ones)” do álbum Animals da banda Pink Floyd. Lançado em 1977, este disco nasceu numa época onde eram altos os índices de violência racial, alta inflação e desemprego na Grã Bretanha. É um álbum completamente baseado no livro A Revolução Dos Bichos, porém com o diferencial de que as músicas são uma crítica direta ao estado, e que no enredo, as ovelhas se rebelam e dominam seus opressores. Com cinco faixas apenas, cada uma delas se refere à característica de cada animal. “Pigs On The Wing” (Part l) e (Part ll) e Pigs (Three Different Ones)”, falam a respeito dos políticos corruptos e moralistas, Dogs” representa os homens da lei, que detêm o poder de polícia, e “Sheep”, fala das pessoas que, sem um, pensamento próprio, seguem cegamente um líder. Tanto o livro quanto o álbum são excelentes obras, e servem de dica musical ou de leitura caso queiram aprofundar os conhecimentos sobre cada um, ou entender de maneira sutil, do início ao fim, porque socialismo/comunismo são os piores erros já criados pela humanidade e ainda existentes.

Comentários

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5 Responses to “

  • Excelente resumo. Melhor livro que já li. Comunismo só traz desigualdade.

    • Guilherme Calmon
      5 meses ago

      Muito obrigado, querida!! O livro é realmente muito bom, faz uma analogia muito bem colocada à realidade. Comunismo é uma ditadura disfarçada na intenção de promover o bem social, nada mais, nada menos.

    • Roseli Nogueira
      2 meses ago

      E qual igualdade o Capitalismo trouxe ? você é igual ao seu patrão? come a mesma comida, viaja para os mesmos lugares, veste as mesmas roupas (marcas)? frequenta os mesmos restaurantes, os mesmos resorts? você passeia de iate, assiste o carnaval no camarote? viaja três vezes por ano, passa 30 dias em sua casa própria na praia? esse livro não diz que o comunismo é ruim, pelo contrário. Todas as boas regras foram criadas pelo velho porco Major, comunista. Esse livro fala da condição do ser humano de egoísmo, ambição, falta de sentimento coletivo e capacidade de cometer injustiça (o que fizeram com o porco bola de neve) em nome de seu benefício próprio. “Já se tornara impossível distinguir quem era homem e quem era porco”. O comportamento daquele porco, corrupto, tornou o sonho do Comunismo semelhante ao Capitalismo. No primeiro o sonho de igualdade; no segundo o sonho de riqueza pessoal. Leia e tire suas próprias conclusões, não se atenha a resumos e ideias de outras pessoas. Boa sorte.

      • Guilherme Calmon Gobbo
        2 meses ago

        Roseli. Primeiramente boa noite.
        Antes de mais nada, gostaria de dizer que é claro que é válida a sua interpretação do tema tratado no livro, até por que cada indivíduo tira uma conclusão particular de tudo aquilo que vê, vivencia, sente e lê. Mas um ponto importante que devemos observar no que é dito neste livro, que retrata de forma fictícia uma situação que podemos comparar a algum determinado caso concreto, de forma mais “colorida” e fácil de “digerir”, é sobre como o socialismo e o comunismo não dão certo e nem nunca darão. Por que? Pelo seguinte motivo: uma vez igualadas social e economicamente todas as pessoas de uma sociedade, o fato resultaria em menos investimentos, menos poupança e um padrão de vida menor. Quando o socialismo/comunismo é inicialmente imposto, a propriedade precisa ser redistribuída. Mesmo que os proprietários e usuários tenham adquirido os meios de produção via consentimento voluntário dos usuários anteriores, os meios serão transferidos a pessoas que, na melhor das hipóteses, tornar-se-ão usuárias e produtoras de coisas que elas não possuíam anteriormente.
        Torna-se claro, portanto, que, se o socialismo/comunismo favorece o não-usuário, o não-produtor, o não-contratante e o não-poupador, ele necessariamente eleva os custos sobre os usuários, os produtores, os contratantes e os poupadores. É fácil entender por que haverá cada vez menos pessoas exercendo estas últimas funções. O socialismo/comunismo resulta em escassez, ineficiências e desperdícios assombrosos. Por que? No socialismo/comunismo os meios de produção não podem ser vendidos, não existem preços de mercado para eles. Assim, seu “zelador” não pode determinar os custos monetários envolvidos na fabricação ou na modificação das etapas dos processos de produção. Tampouco pode ele comparar esses custos à receita monetária das vendas. E como ele não tem a permissão de aceitar ofertas de outros empreendedores que queiram utilizar seus meios de produção, ele não tem como saber quais as oportunidades que está perdendo. E sem conhecer as oportunidades que está perdendo, ele não tem como saber seus custos. Ele não tem nem como saber se a maneira como ele está produzindo é eficiente ou ineficiente, desejada ou indesejada, racional ou irracional. Ele não tem como saber se está satisfazendo as necessidades mais urgentes ou os caprichos mais efêmeros dos consumidores. o socialismo resulta na utilização excessiva dos fatores de produção — até o ponto em que eles se tornam completamente dilapidados e vandalizados.
        Um proprietário particular em um regime capitalista tem o direito de vender seu fator de produção no momento em que ele quiser, e manter para si as receitas da venda. Sendo assim, é do seu total interesse evitar perdas no valor de seu capital. Como ele é o dono, seu objetivo é maximizar o valor do fator responsável pela produção dos bens e serviços por ele vendidos. A situação do “zelador” socialista/comunista é inteiramente diferente. Como ele não pode vender seu fator de produção, ele tem pouco ou nenhum incentivo para fazer com que seu capital retenha valor. Seu estímulo, ao contrário, será aumentar a produção sem qualquer consideração para com as consequências disso sobre o valor de seu fator de produção – o qual, por causa do uso constante e desmedido, só irá cair.
        Há também a hipótese de que, caso o zelador vislumbre uma oportunidade de utilizar seus meios de produção em benefício privado – como produzir bens para serem vendidos no mercado negro -, ele terá o incentivo de aumentar a produção à custa do valor do capital, consumindo completamente o maquinário. Afinal, ele não tem nada a perder e tudo a ganhar. o socialismo/comunismo leva à redução da qualidade dos bens e serviços disponíveis ao consumidor. Sob o capitalismo, um empresário pode preservar e expandir sua empresa apenas se ele for capaz de recuperar seus custos de produção. E como a demanda pelos produtos de sua empresa depende da avaliação que os consumidores fazem do preço e da qualidade (sendo o preço um critério de qualidade), a qualidade dos produtos tem de ser uma preocupação constante para os produtores. Isso só é possível se houver propriedade privada e trocas voluntárias de mercado. Sob o socialismo/comunismo, as coisas são diferentes. Não apenas os meios de produção são coletivamente geridos, como também é coletiva a renda obtida com a venda de toda a produção. Isso é outra maneira de dizer que a renda do produtor tem pouca ou nenhuma conexão com a avaliação que os consumidores fazem do seu trabalho. Todos os produtores, obviamente, sabem desse fato. Assim, o produtor não tem motivos para fazer um esforço especial para melhorar a qualidade do seu produto. Em vez disso, ele irá dedicar menos tempo e esforço para produzir o que os consumidores querem e gastar mais tempo fazendo o que ele quer. O socialismo é um sistema que incentiva os produtores a serem preguiçosos.
        Espero que possa ter compreendido uma visão um pouco mais… sensata do tema tratado no livro. Não trata-se de simplesmente enaltecer o capitalismo e repudiar o socialismo, mas sim, evitar que a corrupção que nasce e mora dentro de todos os seres humanos – quer eles queiram ou não, nós sabemos que ela sempre vai estar lá – se desperte e se expanda. Isso ocorre dando-se oportunidade a todas as pessoas de crescer social e economicamente, podendo assim garantir um padrão de vida decente à elas mesmas e suas respectivas famílias. Um abraço!

  • Adorei o site, meus parabens!

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