Por mais grandes indivíduos!

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“Há legisladores demais, organizadores, fundadores de sociedades, condutores de povos, pais de nações etc. Gente demais se coloca acima da humanidade para regê-la, gente demais para se ocupar dela”.

Tal frase poderia ser assumida como uma crítica contemporânea ao cenário que se aprofunda no Brasil. Mas não, é um fragmento da obra “A Lei”, de Frédéric Bastiat, escrita há mais de cento e cinquenta anos. O manifesto de um indignado economista francês que se rebelou contra aqueles que julgam serem detentores da sabedoria e dignos de conduzir a sociedade como um pastor apascenta seu rebanho.

Embora o fragmento supracitado date do século XIX, ele bota em questão uma característica intrínseca à história do nosso país: a necessidade de grandes líderes. Desde a colonização, o povo brasileiro foi acostumado a possuir figuras políticas como faróis – ditando o rumo que deve tomar. Como resultado, somos tornados instrumentos para os projetos do Estado afim de que o “bem-estar comum” da sociedade seja alcançado. Todavia, passados quinhentos anos, ainda nos encontramos imersos em problemas sociais e estruturais graves. Pobreza, sistemas de saúde, segurança e educação precários, corrupção e burocracia são exemplos. Mas todos já estão saturados de saber disso.

O que parece ser novidade para a grande maioria é: a solução não é um bando de burocratas em Brasília. Basta! Não veio e não virá nenhum grande líder para nos salvar e retirar da situação de mediocridade política, econômica e social em que nos afundamos. Não é com uma canetada ditando o aumento do salário mínimo que a condição de vida do trabalhador será elevada. Temos que nos livrar de uma vez por todas da mentalidade servil que nos domina, pois somos nós que criamos essa condição de aprisionamento na qual estamos inseridos.

A saída aos nossos problemas é o caminho da liberdade – elemento indispensável à plenitude da condição humana. Por meio dela, realizaremos um processo auto abolicionista em relação aos grandes líderes que personificam o Estado. A sociedade estará consciente de que grandes indivíduos são necessários. Cada um, em busca da felicidade, colaborará para a construção de um futuro afortunado por meio da ordem espontânea. Sem sufocamento, sem demagogia e sem uma moral absoluta ditando o modo como devemos nos portar. Somente dessa maneira que a prosperidade será alcançada e os ecos reverberados de Bastiat não serão em vão.

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