Pokémon GO: até onde as críticas fazem sentido?

A última grande novidade do mundo não é um carro, não é um computador ou roupa, é um “simples” aplicativo. Não é novidade pra ninguém que grandes histórias fazem seus fãs sonharem em ser o protagonista, mas o diferencial deste aplicativo é: ele te permite ser o protagonista de Pokémon na vida real.

Após um período de espera, o aplicativo chegou ao Brasil e, como era de se esperar, não demoraram a aparecer críticas ao novo produto e seus clientes, desde pessoas anônimas até o polêmico apresentador Datena, referindo-se aos usuários do aplicativo como “um bando de manés e desocupados” e “Isso é de uma babaquice que não tem tamanho. Vocês não tem o que fazer não? Pokétrouxas” e posteriormente aos criadores do aplicativo “(…) Algum imbecil inventa um jogo idiota desse para você ficar andando com o celular na mão na rua e ser roubado”, disse Datena, alertando também para os perigos do game.

A opinião de Datena seria facilmente ignorável se não representasse a opinião de muitas pessoas, estas merecem uma resposta digna à suas críticas. Todos os indivíduos têm o pleno direito de gozar da sua propriedade, seja dentro de suas residências ou na rua, se existem muitos roubos, não é a vítima que precisa esconder seus pertences, mas o criminoso que deve ser devidamente punido. Certo e errado não são democráticos, não se alteram pela vontade da maioria.

E não, senhoras e senhores, os usuários de Pokémon GO não são desocupados, estes, assim como toda a sociedade, foram agraciados com algo chamado “capitalismo”. Para explicar essa relação, precisamos voltar 200 anos no tempo, em eras pré-capitalistas. Nesta época, quanto tempo era necessário para produzir os bens e serviços essenciais à existência humana, como comida, abrigo, roupas e medicamentos? E depois da revolução industrial, quanto tempo era necessário para produzir esses bens?

O livre mercado e o capitalismo nos últimos 200 anos vêm reduzindo a quantidade de tempo e recursos exigidos para produzir o mais básico pra existência humana. Admitindo isso… O que faremos com o tempo das pessoas e os recursos que sobrarem quando o básico de nossa existência for suprido?! Esta pergunta vem sendo feita há uns 100 anos, desde então este tempo e recursos vêm sendo empregados pra produzir “banalidades” como computadores, smartphones, carros e satélites. Hoje você chama essas coisas de banalidades?

“O capitalismo tem o poder de transformar luxo em necessidade” esta frase é quase um clichê, mas deve ser citada, pois a diversão de hoje, como um Pokémon GO, é vista como banalidade, ou “coisa de desocupado”, mas também não é banalidade jogar um jogo que consiste em movimentar pinos de madeira em um tabuleiro (Xadrez)? E, mesmo que argumentem os benefícios mentais de se jogar xadrez, não há como ignorar o incentivo à prática de exercícios que Pokémon GO gera.

Por fim, a única crítica ao jogo que não é passiva de um questionamento lógico é referente ao jogo interferir em outras responsabilidades, como estudos ou trabalho, mas atividades como ir ao bar com os amigos e dormir além da conta não causam o mesmo efeito? Sim, causam e este é o mérito da liberdade: você é livre até mesmo pra fazer escolhas erradas e por estas é eternamente responsável.

Por fim, o conselho que deixo é: o livre mercado e o acumulo de capital (monetário, tecnológico e mental) nos permitiu ter muito mais tempo livre, use menos do seu tempo pra fazer críticas moralistas à diversão alheia e busque hobbies para si mesmo, provavelmente você sentirá mais felicidade.

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