O QUE HAYEK NOS ENSINA SOBRE “SOCIALISMO E LIBERDADE”.

Neste ano se completa meio século da morte de um dos ícones da revolução cubana, Che Guevara. E o  Jornal Estadão, publicou em seu site uma entrevista[1] feita com o irmão de Che, Ernesto Guevara, que no decorrer da conversa não economizou em expressar suas ideias no mínimo inusitadas.

Em um dos trechos da entrevista, Ernesto diz a respeito de seu irmão: “Se ele não tivesse morrido na Bolívia em 1967, a América Latina seria agora livre, soberana, independente e socialista”.

Contradizer essa falácia não é tão difícil, basta ler um capítulo do livro: O caminho da servidão, de Friedrich Hayek[2] pra entender que a relação entre socialismo e liberdade é excludente. Frases como “socialismo democrático”, “socialismo e liberdade”  acabam por deturpar o real sentido da palavra, e traz a ilusão de um paraíso impossível, igualdade e liberdade.

Para filósofos como Stuart Mill ou John Locke,  liberdade de modo resumido está fundamentada em um indivíduo livre da coerção e do poder arbitrário de outros homens, livre de restrições[3] que tenham alternativas senão obedecer as ordens do superior a qual está vinculado. E para que esses governos se mantenham eles necessariamente precisam ser tirânicos e opressores.

Um pensamento individualista, hoje, muitas vezes usado em um sentido equivocado, é o respeito pelo indivíduo como ser humano, pelas suas preferências e opiniões na esfera individual por mais limitada que possa ser. O coletivismo, que é a base do socialismo,  impede que haja liberdade individual,o direito a propriedade e a livre iniciativa. Mediante a isto é importante questionar se realmente existe liberdade aos pés de um planejador central, países como Cuba, Venezuela, ou até mesmo a extinta URSS, são ou eram livres ? Seríamos uma América latina livre de que?


“Democracia amplia a esfera da liberdade individual, o socialismo a restringe. Democracia atribui todo o valor possível de cada homem; socialismo faz de cada homem um mero agente, um mero número. Democracia e socialismo não têm nada em comum além de uma palavra: igualdade. Com uma grande diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade na controle e na servidão.” Alex de Tocqueville


Os pretextos usados pelos socialistas é que estão lutando por justiça social, maior igualdade e segurança. Mas erroneamente, procuram alcançar esses objetivos restringindo a liberdade individual, o empresário que trabalha buscando lucro é substituído por um órgão de planejamento central. Que produz o que o estado acha que é melhor para o bem estar da população.

Medidas como controle de preços ou de quantidades desta ou daquela mercadoria impede que a concorrência promova uma efetiva coordenação de esforços individuais, pois não registram as alterações importantes das condições de mercado e acabam desorientando as ações do indivíduo.

Em um trecho do livro, Hayek comenta um fato que aconteceu e que levou o ilusório caminho da “liberdade socialista” ao caminho árduo da servidão: … Essa convicção de que o socialismo nos traria liberdade era na verdade o caminho da servidão, foi inquestionavelmente a promessa de maior liberdade que atraiu um número crescente de liberais para o socialismo e tornou os incapazes de perceber o conflito existente entre os princípios do socialismo e os do liberalismo permitindo muitas vezes que os socialistas usurpassem o próprio nome do antigo partido da liberdade.”[4]  O estadista democrático que se meter a planificar a vida econômica será logo defrontado pela alternativa de assumir poderes ditatoriais ou terá que abandonar seus planos.


 “O completo desmoronamento da crença na possibilidade de alcançar a liberdade e a igualdade por meio do marxismo obrigou a Rússia a trilhar o mesmo caminho que a Alemanha, rumo a uma sociedade totalitária e de valores puramente negativos, não econômica, sem liberdade nem igualdade.” Peter Drucker 


Ernesto, ainda compara a imagem de seu irmão a de Jesus: E “Os mitos existem, porque as sociedades os criam. Digo que as duas imagens mais famosas do mundo são as de Cristo e a de Che. Um amigo me disse uma vez: ‘Você exagera, a de Cristo é mais conhecida’. Claro, ele morreu há 2 mil anos; Che, há 50. Nós não estaremos aqui para vê-lo, mas o Che, em 300 anos, sempre será Che. E espero que haja outros Ches”.

Compara – lo a Hitler seria talvez até mais coerente. Será mesmo que Jesus, se vivo, estaria de acordo com suas ações?

Que ao invés de outros “Ches” , hajam  outros Mills, Bastiats, Hayeks e que Che seja lembrado, igual a  Hitler, como  um exemplo a não ser seguido, de quem fez parte de um momento que não merece ser repetido na nossa história
como civilização,  alguém que restringiu direitos individuais, e não como um mártir do controverso caminho da servidão do “socialismo e liberdade”.

Texto com base no livro: O caminho da servidão.

Ramon Tomaz – Graduando em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e associado do Grupo Domingos Martins.

 

Notas

[1] http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,se-che-nao-tivesse-morrido-a-america-latina-seria-livre-e-socialista-diz-irmao-do-guerrilheiro,70002029361  (09/10/2017)

[2] Friedrich August von Hayek, foi um economista austríaco e naturalizado britânico, foi um dos maiores expoentes da escola austríaca de economia.

[3]Livre de restrições não quer dizer sem leis, o respeito pelo indivíduo é um dos pilares da liberdade e a coerção deve ser mínima.

[4]F. A. Hayek. The road of serfdom (O caminho da servidão), 2013, Instituto liberal, p. 58

[5] Roberto Ellery é professor do departamento de economia da UNB.

 

Relacionados

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *