Vamos falar um pouco sobre Murray Newton Rothbard.

No mundo liberal/libertário em geral, assim como todas as outras doutrinas político-econômicas, existem diversas personalidades importantes, que foram imprescindíveis para que a doutrina defendida por eles fosse criada, fortalecida, complementada e disseminada. O Libertarismo por exemplo possui o ilustríssimo Ludwig von Mises, que dispensa apresentações. O homem simplesmente influenciou meio mundo de libertários, senão mais. Mas o tema principal desta vez será Murray Rothbard. O que ele fez para ser tão reconhecido e importante para o libertarismo? Ele fez grandes contribuições no campo da economia, da história, da filosofia política, e do direito. Desenvolveu e estendeu a economia austríaca de Ludwig von Mises, em cujos seminários ele foi um participante assíduo por muitos anos. Se estabeleceu como o principal teórico austríaco na metade final do século XX, e aplicou a análise austríaca a tópicos históricos, como a Grande Depressão de 1929 e a história do sistema bancário americano. Sem contar também que o anarcocapitalismo, hoje tão conhecido e querido por muita gente (já chegando ao ponto de virar moda) que é uma versão radical do liberalismo clássico e anarquismo individualista, teve como principal idealizador e o criador do termo em si, ninguém menos que o próprio Murray Newton Rothbard, embora ideias similares já tenham sido defendidas antes por economistas anteriores, como por exemplo, Gustave de Molinari.
Murray Rothbard combinou a economia laissez-faire de seu professor Ludwig von Mises com os pontos de vista absolutistas dos direitos do homem e a rejeição do estado que ele tinha absorvido a partir do estudo dos anarquistas individualistas americanos do século XIX, como Lysander Spooner e Benjamin Tucker. De Spooner e Tucker, ele escreveu:

“Lysander Spooner e Benjamin T. Tucker foram insuperáveis como filósofos políticos e nada é mais necessário hoje do que um relançamento e desenvolvimento do amplamente esquecido legado que deixaram à filosofia política… Existe, no corpo de pensamento conhecido como “economia austríaca”, uma explicação científica do funcionamento do livre mercado (e das consequências da intervenção governamental no mercado), que anarquistas individualistas poderiam facilmente incorporar em seu político e social Weltanschauung.” (É importante ressaltar o significado deste termo alemão um tanto quanto complicado para nós, brasileiros, para fins de mero entendimento textual: É a orientação cognitiva fundamental de um indivíduo ou de toda uma sociedade. Esta orientação abrange sua filosofia natural, seus valores fundamentais, existenciais, normativos, seus postulados ou temas, suas emoções e sua ética. Um outro sentido do termo é o de uma imagem do mundo imposta ao povo de uma nação ou comunidade, isto é, uma ideologia).

Rothbard fez oposição ao que considerou uma super especialização da academia e tentou fundir as disciplinas de economia, história, ética e ciência política para criar uma “ciência da liberdade.” Ele descreve a base moral para a sua posição anarcocapitalista em dois de seus livros: For New Liberty, publicado em 1972, e The Ethics of Liberty, publicado em 1982. Em seu Power and Market (1970), descreve como uma economia sem estado funcionaria.
Em The Ethics of Liberty, ele afirma o direito de total auto-propriedade, como o único princípio compatível com um código moral que se aplica a qualquer pessoa – uma “ética universal” – e que é uma lei natural por ser o que é naturalmente melhor para o homem. Ele acreditava que, como resultado, aos indivíduos pertence os frutos do seu trabalho. Consequentemente, cada pessoa tem o direito de trocar sua propriedade com os outros. Ele acreditava que, se um indivíduo mescla seu trabalho com a terra sem dono, então ele se torna dono legítimo dela. A partir desse ponto em que ela é propriedade privada, só pode trocar de mãos pelo comércio ou por presente. Ele também alegou que as terras tendem a não ficar sem utilização, salvo se faz sentido econômico não utiliza-las. Ainda neste mesmo livro, ele explora, em termos de auto-propriedade e contrato, várias questões contenciosas relativas a direitos de crianças. Estes incluem direito das mulheres ao aborto, proibição de agressão de pais contra as crianças, bem como a questão do estado obrigar os pais a cuidar dos filhos, incluindo aqueles com problemas de saúde graves. Ele também argumenta que as crianças têm o direito de fugir dos pais e procurar novos guardiões assim que optarem por fazê-lo. Sugeriu que os pais têm o direito de colocar uma criança para adoção, ou mesmo vender seus direitos sobre a criança em um contrato voluntário. Ele também discute como o atual sistema de justiça juvenil pune crianças por fazer escolhas de “adulto”, e como remove crianças desnecessariamente, contra a sua vontade e a vontade dos pais, muitas vezes colocando-as sob maus cuidados. Em outros escritos, Rothbard também apoia o direito de crianças trabalharem em qualquer idade, em parte por apoiar a sua libertação dos pais ou de outras autoridades.
Rothbard foi grandemente influenciado, em especial, pelo livro Ação Humana, de Mises. Nos anos 1950 à 1960 trabalhou para o Fundo William Volker em um projeto que resultou no livro Man, Economy and State, publicado em 1962. De 1963 a 1985, lecionou no Instituto Politécnico da Universidade de Nova York, no Brooklyn. De 1986 até sua morte foi um ilustre professor da Universidade de Nevada, Las Vegas. Rothbard fundou o Centro de Estudos Libertários em 1976 e o Jornal de Estudos Libertários, em 1977. Participou da criação em 1982 do Instituto Ludwig von Mises e, mais tarde, foi seu vice-presidente acadêmico. Em 1987 começou o jornal acadêmico Review of Austrian Economics, agora chamado de Quarterly Journal of Austrian Economics. Ele morreu em 1995, em Manhattan, de um ataque cardíaco. Quando morreu, o obituário do The New York Times chamou Rothbard de “um economista e filósofo social ferozmente defensor da liberdade individual contra a intervenção do governo”.

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