“MONEY QUE É GOOD NÓIS HAVE!”

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A História e a Economia nos mostram que os ecossistemas empreendedores mais desenvolvidos são aqueles cujos mercados de capitais são os mais evoluídos. Porém, a cidade de Vitória protagoniza uma grande contradição nesse aspecto. Segundo o Índice de Cidades Empreendedoras da Endeavor de 2016, Vitória possui o segundo maior capital poupado per capita do país (R$ 29.673,00), atrás apenas de Porto Alegre, e simultaneamente amarga a sétima posição no ranking “Acesso a Capital” do referido estudo. Isto é, temos dinheiro mas ele não está acessível. Onde estamos errando?

 

Se você, caro leitor, quiser empreender sua startup ou sua pequena empresa hoje em Vitória, você terá três alternativas majoritárias legais para financiar seu negócio ou obter um capital de giro: recursos de familiares e amigos; recursos próprios ou instituições financeiras. Sem entrar no mérito da questão sobre instituições públicas ou privadas, taxa de juros, burocracia e crédito subsidiado, a verdade é que quase nenhuma instituição financeira entra no risco. Não é a natureza delas. Elas emprestam dinheiro de acordo com as garantias que você apresenta e o querem de volta corrigido pelo tempo de uso do recurso, pelo custo de oportunidade e pelo risco. No capital disponível via dívida, não importa o quão rentável o negócio seja, o que importa é o quanto você consegue pagar.

 

Contudo, para alívio da nossa iniciativa privada, modelos alternativos de capitalização vêm se tornando cada vez mais populares, apesar da nossa legislação. Para pequenas e médias empresas, ou simplesmente idéias no papel buscando aporte financeiro, por exemplo, os modelos mais usuais são o investidor anjo, o venture capital e o equitycrowdfunding.  São verdadeiros financiamentos societários coletivos em que pessoas investem o próprio dinheiro em troca de uma participação na empresa e de seus possíveis resultados. E o melhor de tudo, por inteira conta e risco do investidor. Isto é, você pode estar prestes a virar sócio da maior loja de vinhos da América Latina, ou de uma promissora empresa de automação residencial, ou, talvez, de uma startup convidada a se apresentar na Campus Party São Paulo. Tudo isso inclusive, quem sabe, sócio de um fracasso retumbante. Como no mercado financeiro de renda variável, aqui os riscos e os volumes são diretamente proporcionais ao retorno.

 

Além disso, muitos investidores não dedicam apenas recursos financeiros na alavancagem da empresa escolhida, mas sua experiência em gestão e sua rede de relacionamentos também. Nessas condições temos os conhecidos smart money.

 

A essa altura o leitor já deve estar se perguntando aonde quero chegar com esse raciocínio. Calma, já vou explicar. Lembra-se que eu disse que Vitória possui o segundo maior capital poupado per capita do país, e simultaneamente, a sétima posição no ranking “Acesso a Capital”? Pois bem, e onde está esse dinheiro afinal? Infelizmente, caro leitor, o capixaba possui culturalmente o comportamento de investir quase que exclusivamente sua renda não gasta em imóveis ou em aplicações de renda fixa. Nada contra tais investimentos, claro, mas esse perfil de investidor altamente conservador prejudica bastante o nosso ecossistema empreendedor. Existem dezenas de iniciativas inovadoras com perspectivas de ganhos significativos que demandam uma quantia quase que irrisória quando comparada ao capital imobilizado pelos capixabas e até mesmo, por que não, quando comparada ao capital ocioso em nossa cidade, pois dinheiro em caderneta de poupança resulta em um ganho real quase nulo.

 

As grandes empresas têm um acesso relativamente fácil a capital nas grandes metrópoles, via bancos de fomento, fundos e private equity. Em contrapartida, as pequenas e médias empresas, maiores empregadoras e maiores geradoras de tributos de nosso país, ficam a mercê do modelo tradicional de financiamento, que quando não nega inteiramente, pouco acredita no negócio. Uma revisão de conceitos urge, meu amigo. Temos um desafio enorme em nossa cidade em proporcionar um maior capital de risco aos nossos empreendedores. Um desafio que consiste em fazer com que esse capital acumulado seja reinvestido em nossas próprias iniciativas empreendedoras. Caso contrário, continuaremos nos perguntando onde estamos errando.

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