Liderança: competência ou presente divino?

Jim Collins Finishing Great 300x169 - Liderança: competência ou presente divino?O fenômeno de líderes messiânicos não é recente, em muitas sociedades antigas o governante, mesmo os passíveis de serem depostos, era visto como um escolhido pelos céus (Vide Mandate of Heaven). No mundo atual, vemos alguns líderes “messiânicos” ganhando espaço na mídia, mas estes indivíduos não são o objeto de estudo deste artigo, mas sim o que representam.

Liderança é uma palavra cobiçada em nossos tempos, a figura do líder é objeto de estudo de nomes como Vicente Falconi e Jim Collins, mas é no trabalho deste que podemos encontrar melhores respostas pra onde líderes messiânicos podem nos levar.

Em seu livro “Empresas Feitas Para Vencer”, Collins explica o conceito do líder nível 5, um tipo de liderança que é um dos pilares fundamentais na consolidação das empresas analisadas pelo estudo que originou seu livro. Líderes nível 5, de acordo com Collins, são aqueles que colocam a instituição acima de si mesmos, atribuem os sucessos do time ao talento de seus liderados, atribui os fracassos a erros próprios e mantém seu trabalho focado na criação de um bom sucessor, que mantenha o crescimento da instituição.

Um líder nível 5 é tudo o que um líder messiânico não é; o messiânico é o líder que Collins chama de “líder nível 4” aquele que possui um talento excepcional para liderar, mas que o faz as custas da instituição que lidera, pois o líder nível 4 atribui os sucessos a si mesmo e os fracassos a seus liderados, além de sempre exaltar sua própria figura ao invés da instituição, chegando ao ponto de querer deixar a instituição dependente dele,  mesmo que a consequência seja a destruição da instituição.

Na história brasileira, vemos líderes messiânicos na figura de populistas como Getúlio Vargas e Lula. Em seus governos, fizeram aquilo que era irresponsável para o país, mas extremamente positivo para suas carreiras políticas. Vargas criou a CLT, influenciada pela carta del lavoro de Benito Mussolini, é até hoje um obstáculo para empregados e empregadores, beneficiando apenas o Estado com dinheiro retirado de ambas as partes. Lula, durante a crise de 2008, para manter os programas sociais e impedir que o país sofresse com os efeitos da crise, seguiu a doutrina keynesiana e nós sentimos hoje os efeitos de seu erro, apesar disso, muitos atribuem a crise atual apenas aos erros de Dilma e clamam para que Lula volte em 2018, como se ele tivesse habilidades sobre-humanas.

Liderar é um desafio constante e o Brasil tem um enorme vácuo de liderança política há décadas, os líderes que surgem, não contribuem para a nação e, enquanto isso, a cultura se degenera e, como consequência, as instituições se enfraquecem. O momento político atual, a grande facilidade de acesso a informação e a grande inconformidade com o status quo são fatores capazes de auxiliar o surgimento de lideranças de qualidade, devemos estar atentos a estas, pois com elas devemos trabalhar por mais liberdade.

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