Libertarismo na arte. É mais frequente do que imaginamos.

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Antes de mais nada, por que abordar este tema? É um tema pertinente, até por que nem só de pão vive o homem, música é uma das várias coisas que tornam nossa vida mais bacana, isto é um fato. Sem mais de longas, existem diversos grupos, inclusive mundialmente famosos que pregam as temáticas liberais/libertárias em suas músicas, como por exemplo os Beatles, Rolling Stones, Metallica, Led Zeppelin, Aerosmith, entre várias outras bandas aclamadas que direta ou indiretamente fazem os fãs se conscientizarem, desde que entendam alguma coisa de inglês, idioma adotado quase que de forma unânime, ou que simplesmente vão olhar a tradução na internet. Mas um conjunto que merece atenção por diversos motivos é uma banda de rock progressivo chamada Rush, que existe desde 1968 e é extremamente competente, tanto musicalmente quanto nas ideologias políticas. Ganha destaque o baterista Neil Peart, que é também o letrista principal da banda, letras estas que são o objeto em maior evidência. Libertário assumido, Peart, em suas escritas brilhantes e muito bem escritas, todas sempre com algum significado ou mensagem por trás, prega por exemplo a crítica à propaganda de igualdade feita por esquerdistas em “The Trees”, que diz assim:

Há inquietação na floresta

Há problema com as árvores

Pois os bordos querem mais luz do sol

E os carvalhos ignoram seus argumentos

O problema com os bordos,

(e eles estão totalmente convencidos que estão certos)

Eles dizem que os carvalhos são muito altos

E eles capturam toda a luz. (…)”

Rush possui uma sonoridade extremamente bem projetada e construída do início ao fim, com muita técnica, conhecimento nas áreas musicais, políticas e da ciência em geral, diversos detalhes e mensagens subliminares nas músicas, que são características únicas do trio, vale muito a pena conferir, sendo assim, segue o link da música supracitada, “The Trees”: https://www.youtube.com/watch?v=leTGg3W1YH.

Mas a música que talvez seja a mais significativa no aspecto da liberdade nos seus mais variados ramos, desde a economia ao modo de vida, possivelmente uma das mais importantes e melhores músicas do Rush, e também a mais longa até hoje, é a obra “2112”, que descreve uma verdadeira história.

Em resumo é uma trama que se passa no ano de 2112, num mundo controlado pelos sacerdotes de Syrinx, como resultado de uma guerra ocorrida em 2062 e que terminou com os planetas que restaram alinhados sob a Estrela Vermelha da Federação Solar. A vida das pessoas na época é completamente controlada pelos sacerdotes, que determinam tudo o que pode ou não ser lido, escutado ou feito. Mas tudo começa a mudar quando o protagonista encontra um violão. Maravilhado com o som emitido pelo instrumento, ele se entusiasma com a oportunidade de mostrá-lo aos sacerdotes. A empolgação dele acaba diante da reação dos sacerdotes do templo, que desmerecem por completo a descoberta, receosos com qualquer coisa que pudesse fugir do controle deles e perturbar a ordem estabelecida. Decepcionado e abalado com a reação dos sacerdotes, o protagonista cai no sono, e conduzido por um oráculo para planeta distante por meio de um sonho, ele vislumbra uma civilização dotada de liberdade e criatividade, prontos para destruir os sacerdotes do templo. Ao acordar, ele entra em desespero ao perceber a diferença entre o sonho e a realidade, porém, no encerramento, chega-se ao final tão sonhado, em que a civilização vislumbrada pelo protagonista assume o controle da cidade de Megadon, derrubando os controladores sacerdotes do templo.

O enredo, embora fictício, descreve muito bem o anseio do protagonista por liberdade, numa terra onde a civilização é completamente controlada pelos sacerdotes. Podemos equiparar essa situação a uma nação que é abusivamente controlada pelo Estado, regulamentando, normatizando, taxando praticamente qualquer ato, e proibindo em excesso, certos fatores que poderiam ser benéficos, como por exemplo, o direito de se defender utilizando armas de fogo, que, no Brasil, pelo menos para a parcela de pessoas que não são criminosas, obter uma arma legalmente chega a ser um sonho, pois um porte/posse de arma é extremamente burocrático, moroso e caro de se conseguir, beirando a linha do impossível. Mas, críticas à parte, Rush é uma excelente banda, com excelentes músicos, profissionais e geniais que são o Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart, no contrabaixo, na guitarra e na bateria, respectivamente. Suas músicas são grandes escolas, musical e politicamente, então, pra quem se interessa por um destes ramos, ou mesmo os dois, é uma excelente dica, que merece ser mais reconhecida. No mais, segue o link da música “2112”, que é sem dúvida uma obra prima e vale muito a pena assistir e conferir como o enredo, a letra, a música e as imagens do vídeo se encaixam, são ricas e muito bem projetadas em todos os sentidos. Tenham uma boa viagem com essa história que, poderia até mesmo dar um filme: https://www.youtube.com/watch?v=w5jwxrTqoEA.

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