A Intervenção do New Deal e sua relação com a Grande Depressão Americana.

A visão geral do problema da crise de 1929, amplamente hoje defendida por keynesianos e pós keynesianos, é que ela provém do declínio de uma ordem econômica que se baseia em mercados livres, alta desregulamentação, direitos à propriedade absolutos e tudo que caracterizamos hoje como liberalismo. Essa forte crença se legitima e se estabelece em cima da ideia que a poupança excessiva é prejudicial no sentido de se limitar o poder de compra das pessoas causando superproduções e consequentemente crises econômicas.

Uma alternativa a essa resposta diz que a Depressão de 1929 consiste em quatro depressões que se fundiram em uma. Crises que tiveram causas diferentes, mas com conseqüências idênticas.

O objetivo desse excerto é analisar o New Deal, logo se crê não ser necessário o aprofundamento detalhado dessas causas. Mas como a ideia principal seja que todos esses motivos se caracterizam como intervenção estatal assim como as medidas econômicas e sociais tomadas pelo governo Roosevelt, o artigo parte do pressuposto de que a causa da Grande Depressão Americana foi principalmente a temerária expansão creditícia gerada pelo Federal Reserve System.

Não faria sentido a critica desse texto se a lógica deste fosse baseada em um não apoio à economia de mercado, o que se quer deixar claro, portanto, é que não se deve entrar em uma questão ampla do por que da intervenção econômica ser ruim, e sim analisar diretamente a razão de uma especifica medida. Concluindo, a falta de explicações no artigo sobre a causa da crise de 1929 não é desconhecimento, apenas não é a finalidade deste escrito. 

Eu

Em um contexto de crise, soluções que contestavam a ortodoxia na economia pareciam razoáveis e interessantes. Se a análise que a causa da crise de superprodução foi justamente um modelo econômico liberal, alternativas a esse sistema não demorariam a ficar fortes e consistentes tanto no meio acadêmico quanto no político.

Os Estados Unidos com o New Deal foi só um exemplo. A Itália no regime fascista e a Alemanha no regime nazista também se opuseram a essa ideologia, mesmo que nesses dois países os caminhos foram para o totalitarismo e ditadura, bem diferente do Estado americano.

Antes de entender o New Deal e como ele na pratica aumentou uma crise já existente é importante analisar que muitos economistas do Federal Reservem queria aplicar o Laissez Faire.

Segundo Benjamin Anderson:

“Registra que, ao final de dezembro de 1929, as principais autoridades do Federal Reserve queriam seguir uma política de laissez-faire: “a disposição era deixar o mercado monetário ‘purgar tudo’ e chegar à tranquilidade monetária por meio do saudável processo de liquidação”. O Federal Reserve estava preparado para deixar o mercado monetário encontrar seu próprio nível, sem dar estímulos artificiais que não fariam nada além de prolongar a crise.[1]

Mas a decisão final foi uma política de credito fácil que por algum tempo fez os preços dos bens subirem novamente, mas estes logo voltaram a sofrer forte queda, e a produção e o emprego permaneceram em queda constante.

 I

É importante analisar as medidas mais importantes do New Deal. E umas dela foram as obras publicas no Estado Americano.

O alto investimento em obras públicas teve o intuito de criar empregos em um contexto de enorme desemprego. No entanto, como Henry Hazlitt evidenciou:

“Constrói-se uma ponte. Se ela é construída para atender a uma demanda pública insistente; se ela soluciona um problema de tráfego ou de transporte, insolúveis sob outra forma; se, em suma, ela é mais necessária aos contribuintes coletivamente do que coisas com as quais eles individualmente gastariam seu dinheiro — se este não lhes houvesse sido tirado por meio dos tributos —, então sua construção pode ser aproveitável (embora seja praticamente impossível determinar que absolutamente todos os pagadores de impostos realmente queiram esta ponte). Por outro lado, uma ponte construída com o intuito de “gerar empregos” é outro tipo de ponte. Quando “gerar empregos” se torna o objetivo, a real necessidade de algo passa a ser uma consideração secundária.  O que importa é inventar “projetos”.  Em vez de pensarem apenas naqueles locais específicos onde há uma suposta demanda popular por uma ponte, os responsáveis pelo dinheiro público começam a se perguntar onde mais podem sair construindo outras pontes.  Mesmo que a construção de pontes não esteja sendo demandado, o empreendimento será feito.”[2]

Chega-se a conclusão que uma obra pública, em curto prazo, pode criar empregos, porém, analisando mais profundamente, temos que o custo dessa ponte provém do dinheiro público, ou seja, dos próprios trabalhadores que estão construindo a ponte.

A problemática disso é que os impostos que poderiam ser usados em projetos mais demandados pela população, serão usados em ações menos importantes, que em tese, fará com que outros empregos sejam destruídos pelos tributos usados nessa ponte. O fim é que vão ser mais operários para a ponte e menos operários para os outros tipos de indústrias.

II

Outro problema foi que Roosevelt acreditava que a Depressão era o resultado da queda dos preços.  Entendia que diminuir a produção iria solucionar a crise, porém percebe-se que ela só aumentou com a medida.

Ao abandonar o padrão-ouro, seu preço aumentou em 69%, mas o nível dos preços domésticos aumentou apenas 7% entre 1933 e 1934 e até o final da década o nível de preços sequer chegou a aumentar. A desvalorização provocada por Federal Reserve System levou a retaliações por parte dos outros países, sufocando ainda mais o comércio internacional, intensificando a depressão nas economias ao redor do mundo.

Através do NRA (National Recovery Administration), houve um controle de preços e especialmente de salários. A medida fez com que o desemprego tivesse a taxa mais alta da crise, quando cerca de 13 milhões se encontravam na situação catastrófica.

A prova mais contundente de como essa medida foi prejudicial, é que quando ela foi abolida pela Suprema Corte Americana, houve então um declínio do desemprego. Porém em 1938, foi publicado o Decreto Sobre Salários e as Horas. Além de reduzir as horas de trabalho para 40 horas semanais, também forçou aumento de 50% em todos os salários.

O resultado foi uma situação de desemprego voltar a subir exponencialmente com aproximadamente dez milhões de trabalhadores desempregados.

III

Outra intervenção que pode ser citada é a da agricultura. A primeira de concessão de privilégios especiais ao setor agrícola veio com o programa de extensão agrícola do Departamento de Agricultura, que teve seu começo na virada do século XX, e estabeleceu-se plenamente em 1914, antes da crise. Houve um padrão, porém, de interferências estatais no setor como o Federal Farm Loan System que tinha a função de emprestar dinheiro em hipotecas de longo prazo para associações de empréstimos de cooperativas agrícolas ou também a Lei do Mercado Futuro de Grãos que serviram como prelúdio do que o New Deal também iria fazer.

Segundo Murray Rothbard, economista norte-americano:

“Quando a depressão chegou, o FFB entrou em ação. Sua primeira grande operação foi no trigo, cujos preços vinham caindo drasticamente há mais de um ano. Quando foi estabelecido, em agosto, o FFB aconselhou os fazendeiros a não mandar o trigo para o mercado rápido demais, mas sim para reter o trigo e aguardar a alta dos preços. Em setembro, ele fez novos empréstimos às cooperativas, para que retivessem os estoques e elevassem os preços. Contudo, o preço do trigo continuou a cair drasticamente. Em 26 de outubro, logo após a quebra da bolsa, o FFB anunciou que emprestaria US$ 150 milhões às cooperativas de trigo, a até 100% do preço de mercado, para que elas tentassem segurar os preços mantendo o trigo fora do mercado. Logo após a quebra da bolsa, o FFB estabeleceu a Farmers’ National Grain Corporation [Corporação Nacional de Grãos dos Fazendeiros], com um capital de US$ 10 milhões, para centralizar as vendas cooperativas de trigo e de outros grãos. O antigo sonho de um cartel de trigo finalmente se tornava realidade. O FFB supostamente trabalharia sobretudo por meio dessas “corporações”, ou cooperativas de vendas favorecidas; e a Farmers’ National foi escolhida para centralizar todas as cooperativas de grãos dos fazendeiros, para eliminar a competição entre eles, e para assim estabilizar e elevar os preços de mercado. Inicialmente, o FFB e a Farmers’ National emprestavam dinheiro para cooperativas agrícolas para que elas mantivessem o trigo fora do mercado, e então, depois que os preços continuavam a cair, a própria Farmers’ National começava a comprar trigo aos preços do empréstimo.”[3]

Pela análise de Rothbard podemos evidenciar que as intervenções serviram mais como cartelização dos preços e não necessariamente para subi-los.

IV

Ainda sobre o controle de preços, pode-se ver como a medida foi destrutiva em outro exemplo prático.

O mercado de aluguel de apartamentos populares era controlado pelo governo para que os preços fossem ajustados no contexto de crise. Com o tempo, novas ofertas desapareceram e os proprietários desses imóveis não tinham mais incentivo para melhorá-los e portanto, ocasionou um pesado custo para a classe média, já que o valor dos outros apartamentos não controlados disparou.

V

Sem dúvida, um fato importante de ser mencionado foi o aumento de impostos.

Numa depressão, é particularmente importante que o ônus fiscal do governo seja reduzido. Em primeiro lugar, é especialmente importante num momento como esse libertar a economia da pesada carga dos recursos de aquisição do governo, e, além disso, uma redução do ônus tenderá a alterar os gastos totais de modo a aumentar o investimento e a reduzir o consumo, oferecendo assim redobrado impulso para a cura da depressão.

Sofrendo um déficit de 2 bilhões em 1932, o presidente norte-americano Hoover tinha duas opções viáveis para amenizar o problema. Uma seria reduzir os gastos e a outra seria aumentar a receita. O presidente escolheu a segunda opção e decidiu, portanto aumentar a carga tributária.

Ratner evidenciou que:

Diversos impostos sobre o consumo de tempos de guerra retornaram, a venda de gasolina passou a ser tributada, e também as de pneus, de automóveis, de energia elétrica, de malte, de artigos de banho, de peles, de joias e de outros artigos; foram aumentados os impostos sobre a admissão e a transferência de ações; foram criados novos impostos sobre cheques bancários, sobre mensagens telefônicas, telegráficas e radiofônicas; e o imposto de renda da pessoa física aumentou drasticamente, da seguinte maneira: a alíquota normal aumentou de uma faixa de 1,5% a 5% para 4% a 8%; as deduções pessoais foram bastante reduzidas, e a restituição de 25% foi eliminada; e as sobretaxas subiram enormemente, de um máximo de 25% para 63% sobre as rendas mais altas. Além disso, 1932: O New Deal de Hoover 297 o imposto de renda das empresas aumentou de 12% para 13,4%, e uma isenção para pequenas empresas foi eliminada; o imposto sobre o espólio dobrou, e o piso de isenção caiu pela metade; e o imposto sobre doações, que havia sido eliminado, voltou, sendo graduado até 33,33%.[4]

Com todas essas medidas, o esperado era que a receita aumentasse, mas ela caiu em 1932. A receita federal total caiu de US$ 3,4 bilhões para US$ 3 bilhões. Hoover não percebia que apenas reduzindo os gastos, haveria um equilíbrio orçamentário e que aumentar os impostos só aprofundaria ainda mais a crise.

Conclusão

Todas essas medidas expostas, com o objetivo de amenizar a crise apenas a potencializou. Com as obras publicas, os gastos estatais nessa medida aumentaram para US$ 333 milhões. Como os gastos aumentaram, o déficit publico também aumentava. Com o controle de preços, o protecionismo em cima dos produtos fez com que a demanda nacional diminuísse. E a política para surgimento de novos empregos só fez aumentar o desemprego, como já foi citado.

O artigo “Políticas do New Deal ea persistência da Grande Depressão: Um Equilíbrio Análise Geral”, Pelos Economistas Harold L. Cole e Lee E. Ohanian foi Uma grande Defesa de Como de Políticas do New Deal NÃO recuperaram a crise de 1929.

Eles citam, que:

Essa fraca recuperação é algo enigmática porque os grandes choques negativos que segundo alguns economistas causaram a recessão de 1929-1933 – incluindo os choques monetários, os choques de produtividade e os choques do sistema bancário – se tornaram positivos após 1933″[5]

Um argumento grande a favor do que foi escrito é que os Estados Unidos sofreram com seguidas expansões monetárias, depois de recessões e recuperações. A crise de 1920-21 começou com um desemprego maior que a de 29, porém o presidente Warren G. Harding confiou no mercado e em menos de um ano a crise já não existia.

A conclusão desse exposto é que as políticas pré New Deal de Hoover e o New Deal de Roosevelt não recuperaram a crise, e serviram apenas para curto prazo, já que em 1940 houve um abandono dessas políticas que, coincidiu com a recuperação econômica.

Referencias Bibliograficas

[1] Benjamin M. Anderson , Economia e do Bem-Estar Público (Nova York: D. Van Nostrand, 1949
[2]RAZLLIT, Henry. Como as obras públicas subtraem riqueza da população. [S.l.: s.n.], 2013. 1p. Disponível em:<http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1378>. Acesso em: 29 nov. 2016.
[3] Rothbard, Murray Newton. A grande depressão americana. São Paulo: Instituto Mises Brasil, 2012. 341 p.
[4] Ratner, Sidney. Americano Tributação (Nova York: WW Norton, 1942), pp. 447-49
[5] COLE, Harold L .; Ohanian, Lee E.  políticas do New Deal ea persistência da Grande Depressão: Uma Análise de Equilíbrio Geral . UCLA: [sn], 2013. 50 p.

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