Debate político no Brasil: uma análise através dos HQ’s e do livro “Pare de acreditar no governo”

Marvel Civil War - Debate político no Brasil: uma análise através dos HQ’s e do livro “Pare de acreditar no governo”

Um fenômeno relativamente recente e de grande impacto mundial é o estudo da história das revistas em quadrinhos (HQs), principalmente relacionada aos super-heróis.  Como bem retratou o bom documentário realizado pela BBC “Superheroes: A never-ending battle”, de 2013 [1], as HQs de super-heróis cria uma nova mitologia do homem moderno, assim como houve em outros tempos. Os heróis, os anti-heróis e os vilões e a forma que interagem servem, desta forma, como reflexo de nós mesmos, de nossa sociedade e buscar dar algum sentido aos eventos históricos dos mais trágicos aos mais alegres.

Portanto, no decorrer da recente história das HQs, podemos perceber certas mudanças de perfis de personagens, de contexto, de dramas psicológicos geralmente como uma forma de resposta aos acontecimentos históricos dos EUA. O Superman, portanto, ao surgir durante a Crise de 29, serviu de inspiração e crença em um futuro melhor para muitos. O mesmo pode ser analisado com o surgimento do Capitão América após a decisão dos EUA de entrar na II Guerra Mundial.

Tal característica das HQs não foi diferente na elaboração da coleção “Guerra Civil”, da Marvel Comics inspiração do filme “Capitão América: Guerra Civil”. Escrita em 2006, em um contexto de grande supressão de liberdade civil do povo americano após a trágica queda das torres gêmeas (2001) e início de guerra contra o Iraque, a história se inicia com a intenção de obter grande popularidade, quatro jovens heróis iniciantes fazem um reality show em que caçam vilões, como consequência, acaba causando uma explosão, dizimando centenas de vítimas. Tudo transmitido ao vivo pela televisão. A partir desse acidente e do consequente apelo popular, o governo americano, com o apoio de alguns super-heróis, busca criar uma forma de registro que os diferencie de heróis amadores sendo que quem não se registrasse seria automaticamente considerado criminoso.  Outra proposta está em torná-los m funcionários públicos que seriam comandados em tarefas e direcionados para locais específicos. Do outro lado, os intitulados como “resistência” alegam ser um ataque às suas liberdades civis, à tradição dos mascarados e às uniões voluntárias.

O filme pode servir como uma grande reflexão ao atual momento da política brasileira. As manifestações anti-governo realizada por parte dos brasileiros demonstram, de forma geral, uma grande insatisfação popular com os atuais políticos, com a corrupção generalizada e defendem uma redução do tamanho do Estado. Por outro lado, manifestantes de disposição pró-governo defendem o status-quo e minimizam o caso, defendem medidas, em geral, de intervenção do Estado, mas o que mais chama atenção, ao meu ver, é que, de forma geral, o país entrou em um importante debate político e poderia resumir-se na tentativa de respostas das seguintes perguntas: deve o Estado controlar ações voluntárias entre indivíduos? O Estado deve interferir no mercado e monopolizar certas áreas? O Estado deve ser centralizado ou descentralizado? Todas essas perguntas de forma consciente ou inconsciente permeiam a discussão sendo que sua resposta e posição a tais perguntas inevitavelmente o posicionará em um lado do debate.

Mas esse texto não pretende ficar em cima do muro, caro leitor. Como bem mostra Bruno Garschagen, autor do monumental “Pare de acreditar no governo: por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado” [2] demonstra que desde seu primórdio, os brasileiros, em especial às elites políticas e intelectuais, vem disseminando uma mentalidade estatista favorável à interferência do governo criando, como consequência, uma população que identifica o Estado (e não o indivíduo) como o único a solucionar os problemas em que vivemos, apesar da desconfiança em políticos.

A solução, em parte, já está em curso. De pouco tempo para cá houve um enorme crescimento de um pensamento contrário ao modelo vigente e favorável à liberdade econômica, política e social. Considerável fatia de nossa população verifica isso diariamente. Nosso tímido despertar ainda está longe de consolidar-se com mudanças políticas. É tarefa a longo prazo, mas o caminho está sendo feito.

 


[1] Disponível em: https://www.netflix.com

[2] GARSCHAGEN, Bruno. Pare de acreditar no governo: porque os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado. 1.ed. Rio de Janeiro: Record, 2015.

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