Como o estado desregula o mercado

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A carne é fraca, mas o estado é forte. Normas, normas e mais normas. Normas Municipais, Normas Estaduais, Normas Federais. Normas. O estado brasileiro, em todo canto, põe, impõe e repõe inúmeras normas. Se você não as segue, você é um criminoso, não está autorizado a negociar com outra pessoa que aceite comprar seu produto voluntariamente.

Após décadas e até talvez séculos de doutrinação estatista no território brasileiro, quando um problema é claramente causado pelo estado, o debate intelectualmente e midiático insiste em apresentar a situação de modo que (somente e apenas) mais intervenção estatal em diversas quantidades e qualidades pareça a única solução possível.

Nesse mês de março a Polícia Federal divulgou os resultados da Operação Carne Fraca. Diversos setores das empresas de destaque no ramo frigorífico foram expostos em escândalos de corrupção envolvendo indivíduos do alto escalão do governo nacional. Mais do que favores políticos e repasse de propina, a qualidade dos gêneros alimentícios foi botada em prova: papelão no meio da carne moída, cabeça de porco na linguiça, vitamina C para disfarçar a carne podre, e por aí vai. Acendeu-se a ira tanto dos fascistas de esquerda e dos socialistas de direita contra os defensores da liberdade humana. O mercado não pode se autorregular. É preciso mais intervenção estatal.

Críticas e jargões que talvez sejam mais velhos até que o próprio estado moderno foram atiradas por todos os lados. Minha intenção aqui não é de dissecar essa velha novilíngua estatal e refutar seus conceitos irracionais, mas sim de mostrar como só o estado é capaz de gerar um mercado completamente desenfreado e desregulado. O antagonismo principal apresentado aqui não é o de posicionar um livre mercado desregulado contra um mercado regulado pelo estado, mas sim, um livre mercado regulado pelas leis da economia contra um mercado desregulado pelas distorções do estado.

O povo brasileiro foi posto ajoelhado perante o revólver das agências de regulação estatais, tendo que engolir a seco seus selos de aprovação. Não temos a opção de escolher por outras agências de fiscalização sanitária e certificação de qualidade, já que notamos que essas atuais, foram claramente corruptas e ineficientes na hora de proteger o consumidor. Daí nós temos a nossa primeira conclusão: quando o estado regula, ninguém regula os seus reguladores, mas quando o mercado regula, é o próprio povo que está ali ditando os caminhos da economia.

As regulações estatais partem do pressuposto de que alguns seres humanos são incapazes de tomarem as melhores decisões sobre sua vida, mas somente a casta iluminada dos asseclas do estado o são. Se eles realmente quisessem que você tivesse acesso a um produto de qualidade, eles permitiriam que diversas agências de certificação de qualidade entrassem no mercado e competissem pela fidelidade do consumidor. Somente o verdadeiro voluntarismo, o livre mercado, pode empoderar a classe trabalhadora e derrubar o capitalismo corporatocrático.

Deixar as decisões econômicas nas mãos dos indivíduos é a melhor forma de entregar o poder de decisão final aos mais pobres. As políticas de crédito que entregaram os recursos das classes trabalhadoras nas mãos dessas grandes corporações (que nos fazem de gado humano), esmagaram com punho de ferro os pequenos açougues e comércios locais. A classe política em sua relação promíscua e antiética com o empresariado formam a maior ameaça ao mundo civilizado na modernidade.

Devemos nos livrar dessa relíquia bárbara chamada estado. Bom apetite.

 

 

 

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