Como o capitalismo Laissez-Faire ajuda todos e reduz a pobreza

Postado Originalmente no Site Nacional do EPL 19/08/2015

LF1 300x204 - Como o capitalismo Laissez-Faire ajuda todos e reduz a pobrezaTrês conceitos são necessários para decifrarmos os mistérios do porquê o capitalismo gera riqueza e, ao gerar riqueza, faz com que todos sejam efetivamente mais ricos ou estejam a um passo mais próximo dessa riqueza. São esses o valor subjetivo, o valor real do dinheiro e a lei da oferta e demanda.

Sobre o valor subjetivo, podemos interpretar da seguinte forma: pessoas estão dispostas a comprar algo por quantias distintas de dinheiro, pois têm necessidades diferentes umas das outras.

Um fato que ilustra muito bem o valor subjetivo são as passagens aéreas. Suas variações constantes e até imprevisíveis explicitam como estamos dispostos a pagar um valor diferente por um serviço, que no caso é meramente um meio de transporte para sair de uma cidade e ir para outra. Podemos encontrar passagens por um voo de duas horas a 200, 500, 1000 reais, dependendo da companhia aérea, tal qual existem pessoas que estão dispostas a pagar essas faixas de preço de acordo com a sua necessidade e seu orçamento.

É lógico que buscamos sempre o menor preço, mas imaginemos o seguinte cenário. Você vai viajar a trabalho para palestrar em um congresso. Você receberá 3000 reais pela apresentação e tem somente a passagem de 1000 reais a venda, pois todas as outras já estão esgotadas. Se você deixa de comprar essa passagem, além de deixar de ganhar 2000 reais, você ainda passará pelo desprestígio de faltar ao evento, o que, apesar não não ser muito fácil de mensurar em dinheiro, tem um valor enorme para você como bom profissional. Concluímos que você irá comprar a passagem e terá benefícios maiores do que os seus gastos, o que é chamado de agregar valor(obter ganhos maiores que o investido).

Para entendermos o valor real do dinheiro, devemos dividir a quantidade de moedas que usamos para comprar um certo produto, por este produto. Essa razão é, na prática, a quantidade de dinheiro expressa em bens.

Por exemplo, se 1kg de laranja custa 10 reais e eu ganho 500 reais por mês, significa que a minha renda, expressa em laranjas, é equivalente a 50kg por mês. Podemos, então, concluir que a economia real gira entorno não de moeda, mas sim de bens e que o dinheiro, papel moeda, é apenas uma maneira (tecnologia) de traduzirmos o valor dos bens e facilitarmos as nossas trocas.

Dadas essas informações, devemos fazer o paralelo sobre qual é o nosso salário real, ou seja, os nossos ganhos expressos nos produtos e serviços que produzimos, por exemplo, quantas passagens de ônibus um motorista recebe como salário, quantas laranjas um agricultor recebe como salário ou quantos litros de sorvete um sorveteiro efetivamente ganha.

Analisando mais de perto o caso do sorveteiro, se cada litro de sorvete custa, para a empresa, 20 reais e o sorveteiro recebe 1500 reais/mês, significa que ele está recebendo 75 litros/mês de sorvete como salário real. Sabendo disso, podemos entender, mais precisamente, como os salários se comportam, pois caso o sorveteiro aumente sua produtividade de 75 litros de sorvete para 100 litros/mês, é compreensível que seu salário aumente de 1500 para 2000 reais/mês, dada a nova produção mensal. Mas isso só acontece num contexto de livre-mercado.

O aumento de 75 para 100 litros de sorvete/mês significa um aumento naprodutividade do trabalhador, levando em consideração que o próprio tempo é um recurso escasso, o sorveteiro aumentou, dado o mesmo período de tempo, a sua capacidade produtiva, porém é possível aproximarmos ainda mais o nosso olhar sobre este fato. Se esta produtividade mensal aumentou porque o sorveteiro, que trabalhava 7,5 horas/dia, agora trabalha 10 horas/dia, não temos um aumento chamadoprogresso técnico, ou aumento tecnológico, apenas mais horas de trabalho. Agora, unindo o melhor dos dois mundos, o sorveteiro que trabalhava 7,5 horas/dia para produzir 75 litros de sorvete/mês agora trabalha 5 horas/dia para produzir 100 litros/mês de sorvete/mês, temos um aumento real da produtividade, pois ele agora gasta 1h/dia para cada 2 litros/mês de sorvete, frente a uma produtividade anterior de 1h/dia para cada 1 litro/mês de sorvete, ou seja, um aumento de 100% em sua produção no mesmo período de tempo, que é a própria definição de produtividade (produção/tempo).

Com as excessivas regulamentações que o trabalhador sofre por conta do governo, caso tenhamos dois sorveteiros numa mesma empresa e o governo estabeleceu um salário mínimo de 1600 reais, significa que ambos os sorveteiros terão que produzir, no mínimo, 80 litros de sorvete cada um, caso contrário, este sorveteiro pouco produtivo se traduzirá em prejuízopara a empresa, o que cria uma barreira de empregabilidade e, consequentemente, desemprego.

Consideremos uma cidade, chamada Iceland que possui apenas a produção de sorvete como maneira de subsistência. Essa população comercializa sorvete com o mercado exterior para conseguir importar outros bens, entre esses o queijo. Iceland consegue produzir 1000 litros de sorvete/dia e vende 90% disso para conseguir importar 300kg de queijo/dia, dado que os 100 litros são consumidos pela própria população de Iceland. Temos, então a proporção de 3 litros de sorvete para cada 1kg de queijo. A cidade que vende queijo se chama Lactos e acaba de inovarno processo de produção do laticínio, fazendo com que aumentem a sua produção em 100% no mesmo período. Se Lactos produzia, antes, 1000kg de queijo e exportava 300kg a 10 reais/kg, podemos seguir por dois caminhos, ou Lactos aumenta a quantidade exportada de queijo para outras cidades e usa essa nova renda para conseguir importar outros bens, ou fica com oexcedente da produçãocaso seus habitantes estejam com escassez de queijo. A partir disso podemos concluir que os habitantes da cidade estão mais ricos, devido ao aumento a riqueza de Lactos aumentou, em outras palavras, que o seu Produto Interno Bruto aumentou, que passou de 10000 reais (1000kg a 10 reais) para 15000 reais(2000kg a 7,50 reais), conforme mostrado abaixo.

Mas como é possível que todos os habitantes de Lactos estejam mais ricos? Se é uma sociedade capitalista, implica-se a existência propriedade privadae que nem todos os indivíduos da cidade produzem queijo. Verdade, mas todos eles consomem o laticínio e procuram no mercado pelo produto. O fenômeno de procurar um produto para consumir se chama demanda e o fenômeno de vender um produto se chama oferta.

Após dobrar a produtividade de queijo, Lactos diminuiu o esforço para conseguir produzir uma mesma quantidade do bem. Ao cruzarmos a oferta com a demanda tenderemos a um fenômeno chamado preço de equilíbrio. Isso ocorre devido aos conflitos de interesses entre o quanto os consumidores querem consumir a um determinado preço (valor subjetivo) e o quanto os produtores querem, ou podem, ofertar a esse mesmo preço. No caso de Lactos, tivemos um aumento considerável na produção de queijo e, como é mais fácil produzir o bem, os ofertantes se ajustam a essa nova realidade e abaixam o preço para aumentarem suas receitas, levando em consideração que um preço baixo atrairá mais consumidores de queijo os produtores acabam por aumentar seus lucros e ficam mais ricos.

Os consumidores também ficam mais ricos com o aumento da produtividade dos produtores de queijo, devido ao que definimos como salário real, pois agora, ao traduzirmos o salário de um trabalhador que ganha a mesma quantidade de dinheiro de antes do aumento da produção. Por exemplo: se Alberto ganhava 1500 reais e 1kg de queijo custava 10 reais, Alberto compraria 150kg de queijo, mas agora 1kg de queijo custa 7,50 reais e Alberto continua ganhando os mesmos 1500, o que faz com que seu salário real seja de 200kg de queijo. E esse fenômeno ocorre com todos, independente da renda, etnia, credo ou outras pessoalidades.

Essa análise é necessária para não tirarmos conclusões precipitadas e cairmos no erro de dizer que a economia capitalista é um jogo de soma zero, na qual, se um lado aumentou seus ganhos, o outro obrigatóriamente tem que perder. Como pudemos observar o aumento da produção de um bem se traduziu em lucros maiores para os produtores e aumento da renda real dos trabalhadores, devido a queda de preços provocada pelo aumento da oferta do bem, que foi propiciada pelo aumento da produtividade. Importante ressaltar, também, atividades filantrópicas e caridosas acabam se tornando mais acessíveis, o que se torna um incentivo positivo para a tais atos.

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