Como a lei de oferta e demanda explica os baixos salários dos professores brasileiros

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Para entender como a lei de oferta e demanda funciona, é importante entender a origem do nosso modo de produção que quebrou paradigmas e a arcaica sociedade de castas: a Revolução Industrial.

Para introduzir o assunto, gostaria de citar um trecho que ilustra como esse processo de mudança no modo produtivo do ser humano teve um dos seu primeiros choques de oferta:

… No início do século XIX, os salários mais altos pagos pelas indústrias aos seus trabalhadores forçaram a aristocracia agrária a pagar salários igualmente altos aos seus trabalhadores agrícolas.[1]

Mas como o simples fato de as indústrias estarem pagando melhores salários implica que os aristocratas terão de remunerar melhor seus trabalhadores? A resposta está na oferta de mão de obra, ou seja, no mercado de trabalho.

É comum entendermos como os efeitos da concorrência afetam o preço dos produtos, tal qual, se sou produtor de um bem e tenho vários concorrentes, o objetivo de conquistar o cliente, o comprador, fará com que eu abaixe meu preço para me diferenciar do resto – e esse fenômeno ocorre mesmo que mudemos nosso “posto de observação” da empresa A para a empresa B, que compete no mesmo mercado. Essa é a relação mais comum de oferta e demanda. A mesma lógica é aplicável à contratação de funcionários, todavia a relação entre quem oferta e quem demanda, são os trabalhadores e as empresas, respectivamente.

Imagine que você é um pós-doutor em Economia e três bancos estão querendo lhe contratar para o cargo de Economista Chefe. O banco A lhe oferece 100 mil, o banco B, 200 mil e o banco C, 170 mil. Em resposta à esse diferente leque de ofertas salariais, você coloca as instituições em disputa pela sua força de trabalho, o que termina com o banco A lhe contratando a um salário de 260 mil/mês e relegando aos outros dois bancos a contratação de alguém menos qualificado que você. Isso acontece pois, da mesma forma que um leilão, todos vão subindo sua proposta até o máximo que conseguem suportar. À ótica da oferta e demanda, você está ocupando a posição de ofertante, enquanto as empresas estão demandando um profissional do seu calibre.

Em tabela:

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A oferta de força de trabalho versus a demanda pela mesma faz com que todos compitam entre si, tal que os trabalhadores, pela concorrência mútua abaixem seus próprios salários para se tornarem mais atrativos aos olhos das empresas, enquanto as empresas (e incluo todos os setores da economia nesse plano) competem pela força de trabalho dos homens livres. Esse fenômeno explica o trecho inicial de Mises, fazendo com que a indústria, por ser mais atrativa financeiramente que o trabalho campal, seduza os trabalhares a migrarem para esse setor e abandonem sua anterior condição de trabalhador rural. Em reação à fuga de mão-de-obra do campo, os senhores das terras são obrigados a aumentarem os salários de seus funcionários, se quiserem evitar um êxodo ainda maior desses profissionais.

A briga entre os setores e as empresas pelo trabalho do indivíduo é constante e explica, inclusive, o por quê empregadas domésticas em países como os EUA ganharem entre quatro e cinco vezes a mais que as empregadas domésticas brasileiras, ou seja, a falta de oferta desse tipo de mão-de-obra nas terras norte-americanas faz com que as famílias ofertem um salário maior para tornar a profissão mais atrativa. E é exatamente por esse motivo que os professores brasileiros têm um baixo salário: falta de competição pelo trabalho do docente, entre as próprias escolas e também entre os diversos setores da economia — como você pode imaginar, a maior parte das vagas ofertadas estão na rede pública, que influencia negativamente os salários, pois a rede pública não compete entre si.

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Antes que critiquemos a baixa valorização do profissional da educação no Brasil, é importante que levemos em conta que: todos os outros setores têm baixos salários, não só os professores e que a presença massiva de escolas públicas relega aos mesmos um salário pouco significativo, em detrimento da importância desse trabalhador para o nosso desenvolvimento.

Todavia há uma pergunta que devemos fazer todos os dias ao questionarmos a valoração alheia “eu pagaria mais pelo serviço do professor?”.


[1] MISES, Ludwig. Seis Lições, São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2009, p. 17

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