Histórias de Liberdade, com Marcelo Mendonça

Vivemos em um período de polarizações e guerras ideológicas. Para ultrapassarmos essa barreira, o único caminho é o diálogo.

Para isso, precisamos dar voz, discutir e debater nossas ideias. É por isso que hoje o nosso entrevistado é Marcelo Mendonça, advogado especialista em operações societárias, empresário, presidente do Ibef Jovem ES e membro do Líderes do Amanhã.

Em primeiro lugar, gostaria de saber como foi o seu primeiro contato com os princípios da liberdade, se foi através de livros, de conversas, se partiu da família ou se veio de fora. 

Meu primeiro contato com os princípios da liberdade foi dentro do Instituto Líderes do Amanhã, através da leitura e de debates com os outros integrantes. Eu diria que as idéias já existiam dentro de mim, mas não sabia conceituá-las ou materializá-las.Porém, quando entrei no Líderes, quando comecei a ler os livros, vi o quanto aqueles valores eram impactantes. Os primeiros títulos que mexeram comigo nesse sentido foram “As Seis Lições”, de Ludwig von Mises , “A Lei”, do Frédéric Bastiat e “O Caminho da Servidão”, de Friedrich Hayek. Esse último me mostrou muito como a restrição à liberdade e à individualidade é algo tão prejudicial para o ser humano. 

Como a leitura pode contribuir para o avanço das ideias de liberdade? Quais foram os principais livros liberais que te influenciaram? 

Contribui demais. Na verdade, sugiro que aquele que queira discutir a liberdade primeiro leia livros dos principais pensadores do liberalismo, do individualismo, da responsabilidade e do objetivismo. Na minha concepção, a leitura é a base de qualquer construção de raciocínio e do ideal liberal, isso porque, a partir do momento em que o indivíduo lê e traz a teoria advinda da literatura para o debate, o raciocínio fica mais claro e mais argumentativo. Quanto aos principais livros que me influenciaram, além dos três que já citei – “As Seis Lições”, “O Caminho da Servidão” e “A Lei’-, “O Que Se Vê E O Que Não Se Vê”, também do Bastiat, foi muito importante. Porém, principalmente, o mais impactante foi “A Revolta de Atlas”, da Ayn Rand. 

Como a liberdade e os princípios que dela emanam, como o egoísmo virtuoso, te ajudam nas decisões do mercado de trabalho e na tua vida? 

O egoísmo racional, ou virtuoso, é uma forma de tratar o egoísmo como a virtude que ele realmente é. É o conceito em que o indivíduo precisa primeiramente agregar valor a si mesmo, pensar em si mesmo, ser honesto com si mesmo, desde que isso jamais implique em restrição da liberdade e propriedade privada de um terceiro. Essa filosofia culmina, invariavelmente, na felicidade própria e na certeza de que o que eu faço é o certo. Isso porque tudo que eu faço é voltado para a minha evolução pessoal e profissional. Quando eu percebi que isso não era errado, que ser racionalmente egoísta é algo bom, minha vida pessoal e profissional foram alavancadas, passei a ser mais honesto comigo mesmo, o que diminuiu muito a quantidade de conflitos internos. Para resumir, o egoísmo racional ajuda na minha caminhada porque seus valores, seus princípios, oferecem um caminho de coerência com base naquilo em que eu acredito. 

Na esteira da pergunta anterior, quais foram as motivações que te levaram a fundar o Instituto de Direito e Liberdade Econômica? Há defasagem dessa linha de pensamento no mercado da advocacia? 

O que me motivou a fundar o IDL e o IBEF Academy – o primeiro focado em levar os conceitos liberais para o campo da advocacia e o segundo ligado em economia e finanças – foi o fato de que precisamos expandir os ideais do liberalismo, precisamos intensificar a apresentação dessas ideias para as pessoas que têm tendência a compartilhar esses valores conosco ou que se mostram interessadas no debate. Entendo que essa é a melhor forma de impactar a sociedade: melhorar, aos poucos, dia após dia, o ecossistema em que vivemos, de acordo com os princípios que acreditamos. O caso do IDL é especial, afinal, o meio jurídico em geral é muito preso ao positivismo, ou seja, o advogado se atenta no que é certo ou errado com base na lei. Porém, temos que lembrar que a lei é uma regra escrita, feita por pessoas que não necessariamente sabem o que é melhor para a sociedade, ou o que é moralmente correto. Percebi que, como advogados, precisávamos abrir a cabeça nesse sentido, ou seja, trazer os ideais liberais para o dia a dia do direito, ajudá-lo a ser mais livre, até mesmo para que o serviço seja melhor prestado, para que seja mais competitivo, mais econômico, mais debatedor e menos positivado.

Para finalizar, como você observa o cenário liberal no Brasil, mais especificamente no Espírito Santo, daqui para frente, considerando as reformas propostas pelo Governo Federal e a maior busca da juventude por informações nesse sentido? 

O Espírito Santo, por ser um estado menor e ter um nível maior de educação, apresenta um quadro econômico e financeiro positivo, com responsabilidade fiscal e contas públicas no azul. Entretanto, o Brasil está longe de ser um país liberal. Tivemos, em tese, uma agenda focada no liberalismo por parte do governo – apesar de o Presidente Bolsonaro não ser um liberal, mas sim ter se ancorado na bandeira para vir como oposição ao socialismo lulopetista – que, ao meu ver se tornou tendência política muito grande, justamente pelo fato de a juventude estar buscando mais informações nesse sentido. Portanto, se atrelar, se estruturar, conhecer e estudar assuntos ligados à liberdade, à menor minoria do mundo, o indivíduo, tem atraído a atenção das pessoas, o que, ao meu ver, é algo muito positivo.

Além disso, as reformas do governo vêm no sentido de desburocratizar, na busca por uma máquina pública cada vez mais enxuta. Porém ainda estamos muito distante dessa redução da estrutura estatal: a reforma administrativa é importante, mas poderia ser mais forte e a reforma tributária proposta é quase equivalente a  trocar seis por meia dúzia. Por fim, entendo que a tendência é a busca cada vez maior pela independência individual, possibilitando a ascendência própria e, consequente, uma nação mais completa, formada por pessoas livres que independem do poder público.

Entrevista realizada por Dante Martani, membro do Grupo Domingos Martins.

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