A inveja institucionalizada

No Brasil há uma cultura de valorização excessiva do trabalho, mas, simultaneamente, de repúdio e inveja àqueles que foram bem sucedidos em suas vidas financeiras. Quando alguém compra um carro novo, a primeira pergunta que é feita é a seguinte: “quanto custou?”.

Dependendo da resposta do primeiro questionamento, o segundo é, em quase todos os casos: “financiou ou está ´quitado’?”. A resposta natural esperada por todas é da quantidade de vezes em que este foi financiado. Porém, quando a resposta é um simples “está pago”, até mesmo com um amigo muito fiel, que quer seu bem e seu desenvolvimento como pessoa, pode ser um sorriso envergonhado seguido de um ‘parabéns’, ou até mesmo uma expressão de inveja.

O carro foi apenas um exemplo, mas isso pode acontecer em qualquer caso em que a pessoa compre um bem de consumo um pouco mais caro, como uma casa, um terreno e até um celular — que acaba por ter um valor muito alto em nosso país, por conta da alta carga tributária que incide sobre produtos eletroeletrônicos.

A inveja foi amplamente utilizada para se fazer política no Brasil. Os partidos que nos governaram após a redemocratização, em sua maioria, incitavam movimentos sociais usurpadores, que diziam ´lutar contra o capital’, quando, na realidade, eles queriam mesmo é adquirir o capital dos mais ricos, seja de maneira lícita ou ilícita. Completamente equivocado.

O MST e o MTST podem ser tidos como ´exemplos´ de movimentos que surgiram, supostamente, para ‘corrigir desigualdades da sociedade capitalista’, mas que na realidade se tornaram um modo de espoliar ilegalmente donos legítimos de propriedades urbanas e rurais. Quem ganha, nestes grupos, são apenas os líderes que, em certos casos, até cobram ‘aluguel’ daqueles que estão a ocupar o território alheio. Porém, apesar disso, aqueles que são explorados pelos ´chefes´ do movimento são levados à ilusão de que o verdadeiro usurpador é o dono da propriedade, não aqueles que recolhem benefícios ilegais deles — ou mesmo o Estado, que detém diversos imóveis desocupados e terras devolutas.

A nossa Constituição prevê, por exemplo, a taxação de grandes fortunas, apesar de que esta — ainda bem — não fora regulamentada por lei. Seria um modo de corrigir as distorções sociais que, muitas das vezes, o próprio Estado ocasiona, ou usurpar o patrimônio adquirido licitamente.

Por que não incentivar uma cultura de valorização ao trabalho e ao sucesso pessoal, permitindo que empreendedores possam investir com menor risco e maior facilidade, ao invés de uma legislação superprotetora, que apenas lesa grande da população — aqueles que não conseguem empreender e os que estão desempregados justamente por conta disso?

Quanto maior o desenvolvimento pessoal que um indivíduo obtém com seu trabalho, mais ele gera riqueza para toda sociedade. Infelizmente não é assim que pensa nossa elite intelectual.

Raciocinemos: um trabalhador que, por conta de seu aumento de produtividade, tem seu salário aumentado em 50% irá, consequentemente, consumir mais produtos, certo?! Com o consumo de mais produtos, irá fomentar a indústria e comércio em geral que, consequentemente, gerará mais empregos.

Qual a dificuldade de entender que o sucesso pessoal do seu próximo representa o sucesso de nós, como sociedade? Espero um dia conseguir ouvir, de toda população brasileira, que não há impedimento algum de entender tal raciocínio. Até lá, teremos de conviver com a inveja de toda sociedade perante um novo ganho particular. Sucesso e riqueza a todos! É com este desejo que termino este texto, pois quando se é bem resolvido, não nos incomodamos com o sucesso alheio.

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