Assim como Fidel Castro, morre o mito da maravilha cubana.

WhatsApp Image 2016 12 03 at 14.24.32 300x200 - Assim como Fidel Castro, morre o mito da maravilha cubana.

Faleceu na madrugada do dia 26 de novembro uma das maiores figuras da segunda metade do século XX, Fidel Alejandro Castro Ruz, ou para alguns, o Comandante Fidel Castro. Um grande ícone que esteve por trás, junto de outras figuras marcantes como Che Guevara, da Revolução Cubana, leva junto à sua morte, várias objeções que cercam a ilha caribenha. Para muitos, Cuba é um exemplo de políticas públicas que, principalmente, envolvendo a intervenção estatal, tem como principal característica o combate à desigualdade social, uma educação mais abrangente e serviços de qualidades induvidosas.

 

Porém, para entendermos todo o contexto atual da ilha, é necessário analisarmos, sempre usando da ferramenta lógica e racional, como era a Cuba antes do governo catrista. O último governante cubano antes da revolução, fato ocorrido no ano de 1959, foi Fulgêncio Batista, que para alguns estudiosos não passava de uma espécie de marionete americana. Quem nunca, em seu auge de ensino fundamental ou médio, não ouviu do seu professor de História que Cuba não passava de um cassino dos Estados Unidos? Que o país estava assolado na miséria? A questão que os indago aqui é a seguinte: seria isso tudo verdade?

 

Vamos, então, para alguns dados:

 

Imagine um país que, em meados da década de 1950, tinha um incrível número de 160 rádios e possuía o 5° maior número de televisões per capita do mundo. Não, não estamos falando de nenhuma potência europeia, estamos falando de Cuba.

 

Além disso, o país estava em primeiro lugar no ranking de estações de televisão na América Latina, com um incrível número de 23 delas. O número de jornais que circulavam na ilha impressiona aqueles que nem imaginavam o quanto esse mercado era grande e expressivo. Cuba possuía cerca 58 diferentes jornais diários, que em média, representavam 101 cópias para cada 1000 habitantes.

 

Toda essa característica ímpar que o país apresentava, foi substituída por uma mídia totalmente estatal e totalmente parcial. O jornalismo livre, um dos grandes símbolos de uma pátria livre e de caráter democrático, foi praticamente extinto pelo governo revolucionário. Enquanto a televisão e a internet evoluíram ao redor do mundo, Cuba ainda se encontra no rádio, principalmente por ser um meio de comunicação mais barato que os demais citados. Nem a imprensa dos jornais de papel pôde crescer, e temos como exemplo mais forte, o jornal Granma, o único a continuar suas atividades. Seus números decaíram de incríveis 2 milhões de tiragens para apenas 450 mil. O governo é o grande dono da informação no país, ele é quem dita o que pode ou não ser comunicado nas poucas plataformas lá existentes.

 

Sem dúvidas, um dos maiores orgulhos dos apoiadores da revolução feita por Fidel é o campo da saúde. É fato que, hoje, Cuba pode se gabar de números excelentes relacionados ao campo médico, como um alto número de profissionais dessa área atendendo toda a população do país e uma baixa taxa de mortalidade infantil quando comparado aos demais países da América Latina.

 

A grande questão aqui é o cenário anterior à revolução, e os números também são surpreendentes. Referente à mortalidade infantil, por exemplo, Cuba possuía o 13° menor índice na área, isso em escala mundial, pois, quando tratamos da América Latina, o país se localizava na primeira posição. O número de médicos também já era significativo, estando em 3° entre os países latino-americanos, atrás somente de Uruguai e Argentina, respectivamente. Além disso, o país tinha, em média, 1 cama hospitalar para cada 190 habitantes, a frente de países como os Estados Unidos, que, na época, tinha um dado de 1 para 200 habitantes.

 

Ao observar o sistema de saúde cubana hoje, de forma aprofundada, analisando dados e o seu contexto, vemos que todo o valor que lhe é atribuído é um tanto dúbio. Porém, se adentrássemos nesse assunto, alongaríamos de forma considerável o presente artigo, por isso deixo um estudo do Instituto Mercado Popular como uma forma mais completa e satisfatória de aprendizado para o leitor. [1]

 

Outros dados impressionam muito, como, por exemplo, o fato de Cuba ter uma taxa de 76% de alfabetização já nessa época, sendo a 4° maior taxa da América Latina. A educação cubana, outro ponto bastante defendido pelos revolucionários, já era bastante acentuada no contexto anterior. Cuba era o governo que mais investia em educação entre os latino-americanos.

 

Nos dias atuais, a educação de Cuba é dita como exemplar, mas aqui questiono esse título: quais parâmetros estão sendo utilizados? Vemos, na verdade, uma educação totalmente organizada e estruturada pelo governo, com um alto grau de doutrinação e com um valor questionável. O país não possui uma instituição de nível superior dentre as 500 melhores do mundo, não possui um prêmio Nobel ou algum título de peso parecido, mesmo com todo esse status de “educação a ser seguida”.  

 

Depois de uma curta, porém expressiva, demonstração de dados, podemos observar que a revolução cubana não foi de fato tão revolucionário assim, na verdade talvez ela tenha sido, mas para o lado sombrio da história. O governo socialista implantado pelos irmãos Castro e Che Guevara deixou, apenas em seu processo de construção, dezenas de milhares de mortes, principalmente aqueles que não concordavam com o governo, isso sem contar o número de mortos depois de 59, um dado que infelizmente é quase imensurável, haja vista que o governo detém o monopólio das informações, como dito anteriormente.

 

Cuba hoje vive um estado de estagnação tecnológica, vide os velhos carros da década de 60 que ainda são “atuais” na ilha, além de uma pobreza que atinge praticamente todos, menos aqueles que estão ligados ao Estado. Então, ao final disso tudo, pergunto: qual legado deixa Fidel Castro?

 

Referências

 

https://www.institutoliberal.org.br/blog/cuba-antes-e-depois-de-1959/

http://spotniks.com/como-era-cuba-antes-da-revolucao/

[1] http://mercadopopular.org/2016/03/a-qualidade-do-sistema-de-saude-socializado-cubano-e-um-fato-ou-um-mito/

 

Por que da existência do ponto [1]?

A interpretação do atual sistema de saúde cubana envolve várias variantes e leis econômicas que, quando explicadas em alguns parágrafos, abre diferentes oportunidades para uma análise errônea da situação, por isso a escolha do artigo do Instituto Mercado Popular, pois, considero essa uma fonte confiável, principalmente, pelo seu trabalho reconhecido em várias oportunidades.

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