A Teoria do País Quebrado

Com o fim das Olimpíadas no Rio de Janeiro, podemos ver a real situação do Brasil, sem as máscaras que tentaram impor aos gringos que aqui chegavam, com o Estado do Rio decretando falência, o Comitê Rio-2016 gastando mais de R$ 200 milhões em uma obra inacabada, e gastos bem acima do previsto.

No dia 2 de outubro de 2009, o Brasil era confirmado como sede das Olimpíadas de 2016, sob inúmeros casos de corrupção no Senado (presidido por José Sarney) e com o STF mandando engavetar quinze obras do PAC por causa de irregularidades, Lula comemorava junto ao Comitê Olímpico Brasileiro a nomeação do Brasil para dois eventos “grandiosos” no intervalo de dois anos, a Copa do Mundo, e as Olimpíadas.

Entre políticas de superávits e nomeações de ex-banqueiros para chefiar o Banco Central, o governo Lula até 2009 tinha a média de 2,21 de PIB (fonte Secretária do Tesouro Nacional), esse número seria maior se no ano de 2009 o mundo não estivesse mergulhado numa crise mundial, porém ainda sim, o atual presidente adorou a noticia de o Brasil sediar eventos que custariam 25,5 bilhões (Copa, segundo o TCU) e 39,1 bilhões (Olimpíadas, segundo a APO).

Mesmo com uma divida pública crescente, quando Lula assumiu o PIB tinha crescimento em média de 2% e em 2008 foi para extraordinários 5% em contrapartida, a dívida interna foi de R$ 640 bilhões para R$ 1,4 trilhões de reais, o evento foi comemorado por políticos pelo viés econômico/social que deveria ter ocasionado esses eventos.

Esperava-se que com o turismo e dinheiro que os eventos atraíssem, o preço que custaram iria ser pago e o Brasil ainda iria lucrar, porém nada mais foi feito aqui do que a já famosa (e refutada) falácia da vidraça quebrada.

A falácia vem com o seguinte argumento; Ao ver uma janela sendo quebrada, a seguinte constatação é feita “São acidentes desse tipo que ajudam a indústria a progredir.  É preciso que todos possam ganhar a vida.  O que seria dos vidraceiros, se os vidros nunca se quebrassem?”. Incorporando essa teoria a realidade do Brasil, estávamos quebrando o vidro do nosso país para que os brasileiros que vendem vidros reparassem o vidro e lucrassem. Porém como já dito, a teoria é uma falácia porque essa teoria é feito com finalidade naquilo que se vê, mas não leva em consideração aquilo que não se vê.

Não se vê que, se o nosso país gastou bilhões numa determinada coisa, não poderá gastá-los em outra!  Não se vê que, se não houvesse nenhum evento para fazer, seria feito, por exemplo, escolas e hospitais que tanto precisamos.  Enfim, seria possível ter aplicado seus bilhões em alguma outra coisa que, agora, não poderá mais comprar.

Tendo sido os eventos feitos, era esperado um retorno: é o que se vê. Se os eventos não fossem realizados, a construção de hospitais (ou de qualquer outra coisa) teria sido estimulada na proporção dos custos dos eventos: é o que não se vê.

O Brasil quebrou as próprias pernas com o intuito de ajudar o corpo, além de ilógico, foi trágico para um país que vive a maior recessão da ultima década, em 2009 éramos tratados como um país em crescimento, a revista The Economist dizia que “Brazil takes off” (o Brasil decola), alguns anos depois a mesma revista perguntava se havíamos estragado tudo, os estímulos do governo deram errado e nós pagamos por isso.

Em contrapartida, países como a Suécia e Noruega recusaram sediar tais eventos por alegarem outras prioridades, como moradias no caso da Suécia, a Noruega alegou altos custos do evento, e ambos os países estão com a economia crescendo, em ótimas condições financeiras e indo muito bem (mesmo sem Ólimpiadas).

Ao abandonar as politicas de superávits primárias, o compromisso com a meta inflacionaria e práticas de pedaladas fiscais, corroendo a economia brasileira, fizemos de uma Olimpíada, um forte agravante de uma crise já existente. A pergunta que fica é: as Olimpíadas foram boas para quem?

 

Recomendação de leitura: A Olimpíada no Brasil

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