2016: uma retrospectiva do movimento liberal/libertário

No apagar das luzes e fechar das cortinas de 2016, percebe-se que esse ano que passou foi, no mínimo, conturbado para o nosso país. Muitos dizem que foi um péssimo ano, acentuando os desastres e a desordem político-econômica que se deu nesse período. De fato, 2016 foi um ano que “separou os homens dos meninos”, mas também, foi marcante em um ponto que pode mudar para sempre a trajetória do nosso país: Nunca um ano criou tantos liberais como 2016. E isso somente foi possível graças as circunstancias em que passamos.

Para compreendermos melhor o âmbito dessa ascensão da liberdade no Brasil, fizemos para você um breve resumo dos acontecimentos que provam tal avanço.

Movimentos de secessão

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É inevitável admitir que os movimentos de secessão no Brasil nunca foram levados muito a sério. Por estar na constituição federal que os estados são indissolúveis perante o território nacional e a União, a ideia de separatismo sempre foi vista como utopia. No sul, por exemplo, os movimentos separatistas sempre foram vistos, erroneamente, como um movimento preconceituoso e de “elite”. Os movimentos separatistas de São Paulo, idem. Mas algo mudou em 2016. Devido a crise econômica e política, a credibilidade do brasileiro perante Brasília despencou, as ideias da liberdade se propagaram e as pessoas passaram a entender a importância de um estado menos centralizador e poderoso. Resultado: Mais de 600 mil votos a favor da secessão dos estados do sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), em referendo realizado pelo movimento “O Sul é o meu país”, em setembro do ano passado. Em outubro, foi realizado outro plebiscito popular, o “Sampadeus”, na cidade de São Paulo, também sobre uma possível de secessão. Os dois eventos juntos, não somaram 50 mil reais de investimento, mas totalizaram quase 1 milhão de pessoas que concordam com a ideia do separatismo de seus respectivos estados.

Com o agravamento da crise e de medidas coercitivas do Planalto a fim de arrecadar mais recursos para a União, os movimentos separatistas tendem a crescer por todo o país. Na região Nordeste, já existem movimentos como o “Nordeste Livre”, assim como em Minas Gerais. Em nosso estado, recentemente o movimento “O Espírito Santo é o meu país” foi assunto em uma edição de um dos maiores jornais da região capixaba. É certo dizer que os movimentos de secessão já não são mais piada, mas sim pauta de discussão. E isso só está sendo possível graças a ascensão das ideias da liberdade no país.

Sentimento “anti-político”

 

Graças ao processo de impeachment e as investigações da Operação Lava-Jato, o brasileiro “descobriu” que políticos, em sua grande maioria, não representam a população, mas sim a si mesmos e a grandes empresários que se beneficiam da maquina estatal. Além dessa incredulidade criada em cima da imagem do político, o brasileiro também teve sua fé abalada no Estado. Com a crise, diversos estados brasileiros decretaram calamidade pública, não conseguindo suprir a saúde pública, educação e segurança, como o caso do Rio de Janeiro, recém sede de uma edição das Olimpíadas. Na mesma situação encontrasse o estado de Minas gerais e Rio Grande do Sul, apesar de terem uma das maiores cargas tributarias do país. No meio de tanta crise, tanto imposto e corrupção, ficou insustentável a credibilidade do Estado diante da população. Com o aumento dessas insatisfações, as ideias da liberdade tendem a se espalhar ainda mais em 2017.

Projetos de micro-secessões

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As secessões estaduais podem parecer algo ainda distante, diante dos entraves com a constituição. Porém, em 2016, tivemos projetos de micro-secessões que saíram do papel para serem botados em prática. Um deles é o Oasis Project, situado em Timbó Grande, em Santa Catarina. Renato Furtado, criador do projeto, fez de seu território privado de 11,5 alqueires o primeiro território anarcocaptalista da Brasil. A ideia é simples: o espaço terá lotes a venda para os interessados em agregar a futura cidade, que não terá vinculo algum com o Estado brasileiro. Terá sua própria moeda (apesar de a circulação de moedas serem livres), sua própria segurança privada, justiça privada, estradas e sistema de saúde. Os futuros moradores estarem livres para empreenderem como quiserem, desde que respeitem as normas de preservação do meio ambiente e do principio de não agressão. A iniciativa pode soar absurda e utópica para alguns, mas o Oasis Project já é realidade e seus idealizadores e apoiadores levam muito a sério. São as ideias da liberdade sendo postas em prática e muito se espera para os próximos anos.

Eventos e grupos de estudos libertários

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Outro ponto positivo em 2016 foram os inúmeros eventos e grupos de estudos libertários que se multiplicaram Brasil a fora. O Grupo Domingos Martins, em parceria com o Students for Liberty Brasil, apoiou diversos grupos de estudos pela Grande Vitória e interior do estado, como Colatina (Grupo Águas Livres). Grandes eventos também foram realizados, como o Fórum Liberdade e Democracia, ocorrido em vários estados pelo país, inclusive no Espirito Santo. O aumento desses grupos e eventos mostram que as ideias liberais tem sido bem recebidas e gerado interesse por parte dos jovens, adultos, estudantes e empresários.

Valorização e propagação do Bitcoin

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Há dois anos atrás, talvez pouquíssimas pessoas acreditavam de fato que um dia o Bitcoin iria “vingar”. Talvez pela sua volatilidade, ou pelo fato de ser algo virtual e descentralizado. Mas a verdade é que 2016 foi um excelente ano para a moeda virtual. Não só deixou de ser volátil e imprevisível, mas como valorizou incríveis 246% de seu valor. Antes renegada, agora o Bitcoin é pauta em diversos jornais e sites de investimento e negócios. Cada vez mais conhecida, a moeda começou o ano com sua cotação em 350 dólares americanos (aproximadamente R$1200) e no ultimo dia no ano atingiu o valor recorde de 1000 dólares (cotação de R$3520). A valorização muito se dá ao fato da crise chinesa e indiana, em que suas populações viram no Bitcoin uma forma de preservar seu capital, já que a moeda não depende de nenhuma intervenção estatal, apenas da oferta e demanda. A verdade é que o ano de 2017 é muito aguardado para os investidores de Bitcoins, já que 2016 cumpriu grande parte de suas expectativas.

Aversão às políticas de esquerda

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Além da aversão a políticos de maneira geral, os escândalos de corrupção também desmascararam aqueles que sempre diziam representar as classes mais necessitas do país: os esquerdistas. Não somente o Partido dos Trabalhadores, mas todos os partidos, políticos e militantes, que tentaram de todas as formas proteger a então presidente Dilma do impedimento do cargo. O que se viu em 2016 foi a crescente aversão a retórica do estado assistencialista, divisor de classes e autoritário, muito presente nos discursos da esquerda. Numa tentativa desesperada e autoritária de se opor a posse de Michel Temer, militantes de diversas partes do país invadiram escolas publicas e privadas, protestando contra o impeachment e as futuras medidas da nova gestão contra a crise. O resultado das invasões foi absolutamente nulo, e ainda virou motivo de piada nas redes sociais. A atitude dos militantes foi repreendida pelos próprios alunos das escolas, pais e da população em geral.

Antes do impeachment ser levado para julgamento e votação no Senado, movimentos de esquerda, como o MST, MTST, Sindicatos, Levante Popular da Juventude e diversos outros, ameaçaram a população com greves gerais, paralisações e fechamentos de estradas. Mas o que se viu foi contentamento e tímidos protestos, muito provavelmente por causa da forte rejeição da população a tais movimentos. É inegável afirmar que, em 2016, a esquerda brasileira perdeu muito espaço no imaginário politico-social brasileiro.

Candidatos liberais eleitos
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Desde o início das eleições diretas, em 1989, o que se viu até hoje foram vereadores, prefeitos, deputados, senadores e presidentes que seguem, em sua grande maioria, a mesma linha de raciocínio intervencionista estatal. Desde conservadores até esquerdistas radicais, pouco mudou de lá para cá. Continuamos com um poder bastante centralizado, pouca liberdade econômica e social, e diversas regulações que atrapalham o dia a dia do brasileiro. Porém, 2016 foi um ano para nos dar uma “luz no fim do túnel”. Com o grande crescimento do pensamento liberal no país, tivemos a criação (e reformulação) de dois partidos com viés liberais: o NOVO e o PSL. O NOVO, que disputou sua primeira eleição desde a criação do partido, conseguiu eleger quatro vereadores em quatro grandes capitais do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Já o PSL, que recentemente foi assumido pelo movimento LIVRES, conseguiu eleger diversos vereadores Brasil a fora, inclusive um prefeito, na cidade de Cantá em Roraima. Podem parecer passos pequenos, mas sabemos a grande importância de termos liberais assumidos em meio a tantos estatistas e intervencionistas. Grandes passos sempre começam com os mais pequenos.

Homeschooling ganha força no país

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Para o ministro Luís Roberto Barroso, os argumentos que defendem o homeschooling são relevantes, e por isso, em 2016, a educação domiciliar foi considerada lícita pelo STF. Esse foi um grande passo em favor da liberdade no Brasil, tendo em vista que o Estado não pode ter o monopólio da educação de uma nação. Após a decisão, ja tramitam projetos para que o homeschooling seja viabilizado para todo o país ainda em 2017.

O que se esperar para 2017

A verdade é que, se a quatro anos atrás, se falasse em impeachment, secessão e moeda descentralizada como fatos para 2016, dificilmente levaria-mos a sério. As ideias da liberdade tem se propagado de forma rápida e eficiente ao longo dos anos no Brasil. São grupos de estudos, eventos, cursos de economia e pós-graduação. Podemos avaliar que 2016 foi um ano decisivo na história do libertarianismo brasileiro. O ano de 2017 tem tudo para continuar com essa tendência. Com bastante trabalho, seriedade, e a incansável luta pela verdadeira liberdade.

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